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Registo de extrema violência mantém-se na Colômbia

O Indepaz confirmou, esta quarta-feira, o assassinato de seis pessoas, em Medellín e Bogotá. Também dá conta de ameaças de morte a vários dirigentes sociais, nomeadamente por apoiarem o Pacto Histórico.

Protesto em Bogotá contra os massacres na Colômbia
Protesto em Bogotá contra os massacres na Colômbia Créditos / France 24

De acordo com o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), no país sul-americano foram cometidas 25 matanças este ano, com um saldo de pelo menos 67 vítimas mortais.

Uma das mais recentes ocorreu na cidade de Medellín (departamento de Antioquia), onde os corpos das três vítimas – duas das quais jovens de nacionalidade venezuelana – foram atirados para um aterro sanitário.

Ao divulgar estes factos, o Indepaz refere que o Provedor de Justiça alertou que, na região metropolitana de Valle de Aburrá, em que Medellín se insere, há mais de 140 grupos armados do crime organizado a realizar actividades ilícitas.

O organismo sublinha que estes grupos interferem com o exercício dos direitos à vida, liberdade, integridade e segurança dos habitantes da região.

No outro massacre reportado esta quarta-feira, dois homens e uma mulher foram assassinados com armas de fogo em Usme, Bogotá. Recorde-se que, o ano passado, a Provedoria de Justiça denunciou o «posicionamento confuso» de algumas autoridades perante a presença de agentes armados ilegais na capital.

Dirigentes sociais continuam a ser alvo de ameaças e mortos

No município de Argelia (departamento de Valle del Cauca) foi assassinado, no domingo passado, o dirigente social Richard Betancourt. O Indepaz, que confirmou o caso no dia seguinte, refere que homens armados dispararam contra ele nas imediações da sua casa.

Betancourt presidia à Junta de Acção Comunal da vereda Santa Clara e participava em processos de ajuda a pessoas deslocadas por causa do conflito armado. Trata-se do 43.º dirigente social assassinado este ano – desde a assinatura do acordo de paz, em Novembro de 2016, foram 1329.

Na sua conta de Twitter, o Indepaz denuncia a existência de panfletos, firmados por grupos paramilitares de direita, com ameaças de morte a vários dirigentes sociais e indígenas de departamentos no Sudoeste da Colômbia.
No estilo que lhes é habitual, as Autodefensas Gaitanistas de Colombia e as Águilas Negras nomeiam as pessoas que dizem que vão executar, acusando-as de terem apoiado a coligação progressista Pacto Histórico, liderada por Gustavo Petro.

Igualmente na segunda-feira, foi reportada a morte do subscritor do acordo de paz Domingo Mancilla Cundumí. O ex-combatente fariano, que integrava uma associação pela paz, foi morto a tiro no município de Guapi, no departamento do Cauca.

Trata-se, de acordo com as contas do Indepaz, do décimo ex-combatente assassinado em 2022 e do 309.º desde que o acordo de paz entre as FARC-EP e o governo da Colômbia foi assinado.

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