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Covid-19 (III) – Estados Unidos e Brasil

No seguimento dos dois primeiros artigos dedicados ao surgimento da Covid-19 na China e ao seu aparecimento na Europa, descreve-se agora o sinuoso trajecto da abordagem da pandemia nos Estados Unidos e no Brasil.

CréditosJim Lo Scalzo / EPA

O governo dos USA seguiu o modelo 1 de Buffagni que vale a pena relembrar: «Aqueles que escolhem o modelo 1 fazem um cálculo de custo/benefício, e optam por sacrificar uma parte da população.»1

Como superpotência com influência mundial e devido à personalidade arrogante e boçal do presidente, a administração Trump constituiu-se em exemplo absoluto de incompetência, oportunismo e demagogia.

São inúmeros os vídeos com contraditórias afirmações do Presidente Trump ao longo do tempo, começando por menorizar a importância da pandemia – «é uma simples gripe», «vamos todos ficar bem», «a América vai continuar a trabalhar» – passando depois, perante a acumulação de mortos, a fazer o auto elogio e a culpabilizar os outros.

Tudo ainda é pior quando se soma o «sistema de ausência de sistema» dos USA, não existindo nenhuma organização nacional prestadora de cuidados de Saúde do tipo do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou do NHS inglês (hoje também fragilizado pelas políticas de Margareth Tatcher, Tony Blair e sucessores).

Nos USA é o «cada um trata de si», com seguros privados para quem os pode pagar (caros e com muitas exclusões e limites de despesa), a que se acrescentam perto de 50 milhões de pessoas sem qualquer cobertura e totalmente entregues à sua sorte.

Keith Corl, médico e professor na Universidade de Brown, refere: «O nosso sistema de saúde está perfeitamente desenhado para o negócio da medicina: Extrair lucro dos doentes.»2

Nessa lógica do business, a medicina preventiva fica para trás. De resto, em Novembro de 2008, o National Intelligence Council, da CIA, enviou à Casa Branca um relatório elaborado por peritos vários países – «Global Trends 2025: A Transformed World» – alertando para «a aparição de uma doença respiratória nova, (…) que se poderia converter numa pandemia global.»3

Desprezando esse e outros avisos (entre os quais um do Pentágono, em 2017), Trump, fechou, em 2018, o gabinete de Biodefesa e Saúde Global dirigido pelo almirante Timothy Ziemer, perito em epidemiologia, precisamente a instituição encarregada de coordenar o combate a pandemias.

Comentando, na altura, a decisão, Jeremy Konyndyke, dirigente da Agency for International Development durante a administração de Obama, afirmou: «Isto coloca-nos literalmente desprotegidos. É inexplicável.»4

Em vez de as autoridades governamentais tomarem precauções atempadas contra a pandemia, deixaram os profissionais de saúde sem equipamento de protecção e ameaçaram de despedimento os que denunciassem as faltas.5

Porque quanto à aquisição de equipamentos (como a outras medidas de coordenação), Trump deixou os diversos estados ao deus dará, disputando entre eles a compra de material de protecção.

«Estamos a lutar uns com os outros», resumia o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Como, a 31 de Março, numa das suas conferências diárias. «Há empresas que nos dizem literalmente pelo telefone: "Temos muita pena, mas a Califórnia ganhou o leilão". É como se 50 estados licitassem no eBay para obterem um aspirador».6

E quando o número de infectados e mortos em Nova Iorque começou a ser o anúncio de uma catástrofe, Trump, com eleições no olho e o seu estilo da pior ficção televisiva, elevou o tom do ataque a cientistas, adversários políticos, à OMS (WHO) e à China, acusadas de uma perversa conspiração contra ele e os USA.

Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.

Richard Horton, editor da revista médica The Lancet, classificou a decisão de Trump como «um crime contra a humanidade» e «uma traição atroz contra a solidariedade global».7

Não contente com isso, Trump acrescentou o corte de bolsas e financiamento a investigadores americanos ligados à batalha contra a pandemia, e foi duramente criticado num artigo da revista Science publicado a 30 de Maio – «NIH’s axing of bat coronavirus grant a "horrible precedent" and might break rules»: «É a coisa mais contraproducente que eu podia imaginar, dada a relevância da investigação para perceber a corrente pandemia e poder evitar futuros surtos virais», disse Gerald Keuch, o anterior director do National Institute of Health (NIH) da Universidade de Boston.8

A isso somou ainda a recusa em participar na parceria internacional apoiada pela OMS para a descoberta e produção de uma vacina sem fins lucrativos.9

De resto, o presidente americano já tinha tentado comprar um laboratório alemão (CureVac), que está a desenvolver uma vacina, a fim de garantir o seu uso exclusivo nos USA, tendo sido impedido pelo governo alemão.10

Mas o primarismo de presidente dos USA atingiu o auge quando, numa conferência de imprensa, lançou a ideia de tratar o vírus «com uma tremenda luz que seja ultravioleta ou uma luz muito poderosa (…) vejo que o desinfectante agride o vírus num minuto, então há maneira de fazer algo, como com uma injecção ou quase uma limpeza, como podem ver chega aos pulmões e tem um efeito tremendo, vai ser interessante confirmar isso (sic..)».11

«Assim, depois de se ter atirado aos governadores democratas por terem decretado alguma forma de confinamento, Trump resolveu interromper o financiamento à OMS, acusando-a de encobrir alegadas malfeitorias chinesas.»

Anthony Fauci, assessor do presidente e director do National Institute of Allergy and Infectious Diseases, e a OMS criticaram de imediato tais sugestões e, na comunicação social, as afirmações de Trump foram justamente consideradas «irresponsáveis e perigosas».12

Embora pessoalmente desprestigiado e sem credibilidade, as descabeladas campanhas de Trump & companhia continuam a ter repercussão mundial, sendo veiculadas de diversas formas mesmo por muitos dos que o criticam.

Um documento intitulado «Corona Big Book – Main Messages», do Comité Nacional do Senado do Partido Republicano sobre o que os seus candidatos ao Senado deveriam dizer nos debates e comícios, aconselhava-os a «se perguntarem se a propagação do coronavírus é culpa de Trump, devem responder desviando o tema para a China. Não defendam Trump, ataquem a China».13

Por isso, enquanto se multiplicavam afirmações de cientistas sobre a comprovada origem natural do vírus e a injusta acusação à OMS, passaram a repetir-se por todo o lado «comentários» e «análises» a falarem do fabrico ou fuga do novo agente infeccioso do Centro de Investigação de Wuhan, na China, também acusado de desleixo e falta de segurança.

Como a generalidade da comunidade científica, também Anthony Fauci, o já citado virologista assessor do presidente Trump (que frequentemente contradiz e corrige), considerou a acusação ao Centro de Whuan sem fundamento. «Toda a evolução ao longo do tempo aponta fortemente para que o vírus existente na natureza saltou para as diversas espécies.14

E quando, em fins de Maio, o número de mortos nos USA atingiu o dobro das perdas norte-americanas na guerra do Vietnam (mais de 100 000 – Covid-19/ 58 220 –Vietnam), a ofensiva da propaganda virou-se ainda mais contra a China, a nova encarnação do mal, culpada de tudo o que de pior pode vir do coronavírus.

Essa distorção da realidade, testemunhada pela comunidade científica norte-americana que mantém estreitas relações pessoais e científicas com os seus colegas chineses, fez com que os próprios investigadores americanos fossem alvo da retaliação trumpista.

Reagindo a isso, 77 prémios Nobel americanos e 31 sociedades científicas dos USA protestaram energicamente contra a já referida decisão da direcção do National Institute of Health (NIH) de cortar o financiamento à investigação de coronavírus na China, exigindo que «a acção do NIH deve ser imediatamente reconsiderada».15

Por outro lado, a 14 de Maio, o New York Times denunciou as pressões da administração Trump junto dos serviços secretos «para procurarem provas que suportem a mal baseada teoria de que o laboratório de Wuhan, China, está na origem da propagação do coronavírus».16

Contudo, foram as próprias «Five eys» – a parceria das agências secretas dos USA, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Canadá – a desmentirem a descabida teoria de Trump: «Não há qualquer evidência que sugira que o coronavírus saiu de um laboratório de investigação chinesa, disseram fontes dos serviços secretos».17

Baralhando ainda mais a estratégia trumpista, a 25 de Abril 2020, a revista científica International Journal of Antimicrobial Agents publicou um artigo de médicos franceses intitulado «SARS-CoV-2 was already spreading in France in late December 2019», mostrando que a Covid-19 já estava presente em França em Dezembro de 2019, simultaneamente com os primeiros casos observados em Wuhan.

Michelle Roberts, editora para as questões de saúde da BBC, concluiu que, «se os resultados forem correctos, isso mostra que já havia (em França) casos de Covid-19 não diagnosticados, enquanto todos os olhos estavam virados para o Oriente e focados em Wuhan».18

Também em Itália foi noticiado que o novo coronavírus já estava presente nas águas residuais de Milão e Turim em Dezembro de 2019, dois meses antes de ter sido detectado o primeiro infectado em Itália.19

Essas e outras descobertas põem mais em cheque as aberrantes teorias acusatórias do presidente dos USA.

Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.

Se, para sacudir o vírus do capote, o presidente dos USA diz mal da OMS e lhe tira dinheiro no auge de uma pandemia global, logo surge o compenetrado primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, a pedir um inquérito «transparente» à organização-alvo, com o gaulês Emanuel Macron, cheio de gravitas, a funcionar como câmara de eco.

«Apesar disso, muitos dirigentes políticos, embora torcendo o nariz à irresponsabilidade de Trump, seguem a linha que ele define, replicando as suas ideias.»

Em resposta, o governo chinês reagiu exemplarmente aceitando continuar a partilhar os conhecimentos e participar na parceria internacional proposta pela Costa Rica e adoptada pela OMS para investigar tratamentos e vacinas gratuitos, com o Presidente Xi Jiping a assegurar um aumento do apoio financeiro à OMS no valor de dois mil milhões de dólares, mais que duplicando o corte de Trump.20

Mas, se as teorias sobre a fabricação do vírus não chegam, há que criticar – por vezes de forma sinuosa – a ajuda da China e a qualidade do material que fabrica.

No Público de 29-5-20, o jornalista Jorge Almeida Fernandes, referia, a meio de um texto sobre a nova lei de segurança de Hong Kong: «(…) Trump parece mais interessado na "guerra" com a China do que no combate à pandemia, ou seja, apenas pensa nas eleições (…)».

Mas logo à frente, acrescentava: «Depois de ter escondido a epidemia, e de pôr a China no banco dos réus, Xi lançou uma agressiva ofensiva diplomática, baseada na "guerra das máscaras", para projectar a imagem de potência generosa e paladino da cooperação internacional.»21

Podemos ver como se reproduz (consciente ou inconscientemente) a estratégia do Partido Republicano dos USA de «não defender Trump, atacar a China», acusando-a falsamente de «ter escondido a pandemia», o que é cabalmente desmentido pela documentação referida no primeiro artigo desta série e na revista médica The Lancet.22

Já quanto à qualidade do material chinês, o programa Polígrafo (SIC-N), decidiu seleccionar, para escrutínio, «se milhares de máscaras compradas por Espanha à China, não eram seguras por serem fracas e não filtrarem o suficiente». A resposta foi «verdadeiro», omitindo que o governo chinês alertara os compradores internacionais para não adquirirem produtos a empresas não certificadas pelas autoridades chinesas.

Mais recentemente, a 7 de Julho de 2020, a RTP noticiou a compra por Portugal «à China» de centenas de milhares máscaras falsificadas, cortando que o dono da empresa já tinha sido condenado pelas autoridades judiciais chinesas, encontrando-se em fuga.23

Como dizia Bismark, «Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça». Não sabemos se Trump e os media ocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.

Contudo, o estratagema do presidente norte-americano de desviar as atenções da sua incompetência culpabilizando os outros, não travou a crise económica no seu país.

«Como dizia Bismark, "Nunca se mente tanto como em vésperas de eleições, durante a guerra e depois da caça". Não sabemos se Trump e os media ocidentais são caçadores, mas quanto ao resto, correspondem.»

Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças.24

Em dois meses, 41 milhões de novos desempregados inscreveram-se a pedir ajuda. Segundo alguns economistas, a crise económica já ultrapassou a de 1929.25

Mas a cascata de contra-informação não parou e quando as teorias da fabricação do vírus «de Wuhan» e os defeitos das máscaras chinesas foram perdendo fulgor, uma nova acusação surgiu agora virada para um alegado atraso na sequenciação do vírus e da sua comunicação à OMS.

A 2 de Junho, quase meio ano depois da comunicação da sua sequenciação à OMS, o Público anunciava: «Covid-19: China atrasou partilha de mapa genético do vírus com a OMS».

No dia seguinte, o Expresso repetia o título. Segundo o semanário, a agência Associated Press (AP), «baseada em documentos internos e dezenas de entrevistas», revelava que, «os especialistas da agência das Nações Unidas para a saúde queixavam-se em privado da falta de informação partilhada por Pequim».

Nessa mesma noite, a notícia das «queixas em privado» de especialistas da OMS contra a China é repetida duas vezes com estrondo no Telejornal da RTP.

«Nos USA, o país mais rico do mundo, 30 milhões de crianças aguardavam ajudas contra a fome, porque o programa (Pandemic-EBT) de mitigação da falta de refeições escolares só abrangeu, até agora, 4,4 milhões de crianças»

Contudo, o texto (propositadamente?) confuso do Público, de 2-6-20, acabava por esclarecer que o director-geral da OMS, Tedros Ghebre, tinha negado firmemente a acusação, acrescentando: «Deveríamos realmente expressar o nosso respeito e gratidão à China pelo que está a fazer. Já fez coisas incríveis para limitar a transmissão do vírus para outros países.»

Relembremos que, desde os primeiros casos no hospital de Wuhan em que se suspeitou de um novo vírus (26-12-20), até à comunicação do facto à OMS (31-12-20), a China demorou apenas cinco dias. E a sequenciação genética do vírus, partilhada livremente por todo o mundo, demorou menos de duas semanas…

A 11 de Junho de 2020 o número de infectados nos USA era já superior a dois milhões (2 077 146), e a Covid-19 tinha feito 115 572 mortos.

A 27 de Junho, o número de infectados continuava a crescer (2 593 598) assim como o número de mortos (128 132) e o índice de mortos por milhão de habitantes elevava-se a 387, mostrando que a pandemia estava sem controlo.26

Como reacção, Trump começou a anunciar a suspensão dos testes para diminuir o número registado de infectados27 e pediu a Supremo Tribunal de Justiça para acabar com o apoio de cuidados de saúde proporcionado pelo «Obamacare» a 23 milhões de norte-americanos, mostrando a sua total insensibilidade perante a tragédia que afecta os seus concidadãos.28

A 12 de Julho de 2020, o número de infectados nos USA continua a subir, aproximando-se rapidamente dos três milhões e meio (3 410 812) e o número de mortos é de 137 767 (ultrapassando o dobro das perdas na guerra do Vietnam), com os hospitais de alguns Estados a atingirem o ponto de ruptura.

Por outro lado, a pandemia agrava todas as desigualdades sociais e, como afirma a médica intensivista Esther Choo na revista The Lancet, «as descrições da Covid-19 como a "grande igualitária", não são verdadeiras porque a pandemia ataca mais umas pessoas do que outras [...]. Pretos e hispânicos têm, nos USA, uma taxa desproporcionadamente alta de hospitalização e de mortes por Covid-19».29

O Brasil

As atitudes do presidente Bolsonaro foram em tudo semelhantes às do seu «primo» norte-americano, quer na forma de menorizar o perigo da pandemia e de afrontar a comunidade científica, quer na culpabilização dos outros, nomeadamente a OMS.

Sucederam-se as declarações polémicas da presidência do Brasil, a que nem faltou a não utilização de máscara e a defesa fotocopiada da hidroxicloroquina – o remédio político usado por Trump para atenuar a sensação do perigo causado pela falta de medidas para evitar a propagação do vírus – levando à demissão sucessiva de vários ministros da Saúde.

«Talvez a maior ameaça à resposta à Covid-19 no Brasil seja seu presidente, Jair Bolsonaro», afirmava o editorial da revista médica The Lancet, de 9 de Maio de 2020.

«Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.»

Salientando que o primeiro caso tinha sido registado no Brasil só a 25 de Fevereiro, a The Lancet apontava que a disseminação da doença foi muito rápida, sendo o Brasil, a 4 de Maio, o país com mais casos e mortes de toda a América Latina – 105 222 infectados e 7288 mortos.30

A 30 de Maio, o Brasil já era o segundo país do mundo – a seguir aos USA – com um maior número de população infectada (498 440 casos e 28 834 mortos).

No fim da primeira semana de Junho esse número tinha duplicado (787 489 infectados e 40 276 mortos – Worldometer, 11-6-20), e o Presidente Bolsonaro começou a proibir a publicação dos registos totais do país, mostrando despudoramente o desejo de ocultar a realidade das consequências da Covid-19 e da sua irresponsável atitude.

Na América Latina, contrastando com o caos brasileiro e o seu reaccionário presidente, Cuba e Venezuela, apesar de cercados por duríssimos bloqueios e sanções impostos pelos USA, cujo carácter desumano se acentua mais no contexto de uma pandemia, assumiram como clara prioridade a protecção da população, não hesitando em tomar as medidas de confinamento e segurança necessárias, por muito que isso custasse no difícil quadro de limitações económicas que vivem.

Os resultados são claros:

Em fins de Junho, enquanto o Brasil tinha 1 280 054 infectados e 56 109 mortos, com uma relação de 264 mortos por milhão de habitantes, na Venezuela da «ditadura» de Maduro, o total de infectados era de 4779, com um total de 41 mortos e uma relação de um morto por milhão de habitantes.31

Já Cuba, para além do apoio médico solidário prestado a outros países (como Itália), conseguiu também excelentes resultados: um total de 2.330 infetados, 86 mortos e uma relação de oito mortos por milhão de habitantes.32

A 9 de Julho de 2020, poucos dias após o Presidente Bolsonaro confirmar que estava infectado com Covid-19 e de fazer uma inenarrável aparição na TV de frasco de comprimidos na mão transformado em vendedor de hidroxicloroquina, o Brasil mantinha-se como o segundo país com mais infectados (1 727 279), a seguir aos USA, tendo registado (por defeito), 68 355 mortes.33

No Brasil, como nos Estados Unidos e nos países em que dominam «os mercados», são as classes mais baixas, os pobres, os negros, os velhos, os refugiados, os presos, as minorias sexuais e outras, que sofrem mais, quer sob o ponto de vista sanitário (menos cuidados de saúde, menos possibilidades de protecção, mais infectados, mais mortos), quer quanto às repercussões económicas com perda de emprego, de salário, de condições de vida. 

Como afirma o historiador Eric Toussaint, «As diversas formas de opressão serão exacerbadas nos diversos casos.»34

(Continua na próxima semana – Covid 19 (IV) – Portugal)

Artigos anteriores: O início da Covid-19 / Covid-19 (II) – A Europa

  • 1.  R. Buffagni , Italiaeilmondo, 14-3-20
  • 2. «When the Covid-19 pandemic is over, health care must not return to business as usual», STAT, 3-4-20
  • 3. «La Pandemia y el sistema-mundo», I. Ramonet
  • 4. Washinton Post, 10-5-2018
  • 5. Observador, 2-4-20
  • 6. «Texas em armas contra o confinamento», Maxime Robin, Le Londe Diplomatique, Junho, 2020
  • 7. Times, 26-4-20
  • 8. Science, 30-4-20
  • 9. «WHO embraces plan for Covid-19 intellectual property pool», STAT, 15-5-20
  • 10. Expresso, 15-3-20
  • 11. You Tube, AFP, CNN, SIC Notícias, Rádio Renascença e outros, 24-4-20
  • 12. CNN
  • 13. (O´Donell & Associates, 17-4-20; Politico 24-4-20; Business Insider, 25-4-209
  • 14. Anthony Fauci, National Geografic, 4-5-20
  • 15. Science, 21-5-20
  • 16. New York Times,14-5-20
  • 17. The Guardian, 4-5-20
  • 18. BBC, 5-5-20
  • 19. DN,19-6-20
  • 20. «Speech by President Xi Jinping at opening of 73rd World Health Assembly», Global Times 18-5-20
  • 21. Público, 30-5-20
  • 22. «Why President Trump is wrong about WHO», The Lancet, 14-4-20
  • 23. Público, 7-7-20
  • 24. «Hunger Program's Slow Start Leaves Millions of Children Waiting», New York Times, 26-5-20
  • 25. SIC Notícias, 28-5-20
  • 26. Worldometer, 27-6-20
  • 27. «Trump Administration Moving to Close Federally Funded COVID Testing Site», NPR 25-6-20
  • 28. «Trump Administration Asks Supreme Court to Strike Down Affordable Care Act», New York Times, 26-6-20
  • 29. «The Penumbra», The Lancet, 25-4-20
  • 30. The Lancet, 9-5-20
  • 31. Worldometer 27-6-20
  • 32. Worldometer, 27-6-20
  • 33. Wordlometer, 9-7-20
  • 34. Covid-19: stage assessment on the multidimensional crisis and alternative approaches, CADTM, 19-4-20

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