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Combates no Iémen diminuíram de forma significativa com a trégua, diz enviado da ONU

Hans Grundberg disse esperar que o cessar-fogo proposto pela ONU no país árabe, em vigor há quase dois meses, se prolongue, tendo em conta a redução das hostilidades verificada.

Edifícios destruídos e danificados após um bombardeamento saudita no Iémen; a agressão da coligação liderada pelos sauditas começou em Março de 2015 
Edifícios destruídos e danificados após um bombardeamento saudita no Iémen; a trégua proposta pela ONU está em vigor desde 2 de Abril de 2022 Créditos / PressTV

Em declarações à imprensa, esta terça-feira, Grundberg destacou que, quando faltam duas semanas para o final da trégua, esta se tem mantido em termos militares, com um impacto positivo considerável na vida diária de muitos iemenitas.

«Houve uma redução drástica nos combates, sem ataques aéreos a partir do Iémen, através das suas fronteiras, e sem ataques aéreos confirmados no interior do Iémen», disse o enviado das Nações Unidas à imprensa, após uma sessão informativa à porta fechada no Conselho de Segurança.

«Por todo o Iémen, as linhas da frente acalmaram-se significativamente e há registos de um acesso humanitário crescente, incluindo nalguns locais da linha da frente a que tinha sido extremamente difícil chegar», disse, citado pela PressTV.

No passado dia 1 de Abril, Grundberg anunciou que «as partes do conflito responderam positivamente à proposta da ONU de uma trégua de dois meses», que entrou em vigor no dia seguinte.

O cessar-fogo foi implementado após sete anos de agressão contra o mais pobre dos países árabes por parte de uma coligação liderada pela Arábia Saudita, com o apoio dos EUA e do Reino Unido, na sequência da queda do governo aliado de Riade.

A guerra provocou milhares de mortos e uma situação humanitária que a Organização das Nações Unidas classificou como a mais grave dos tempos modernos, sem que as potências agressoras tenham conseguido repor no poder Abd Rabbuh Mansur Hadi.

Fazendo uma avaliação positiva da implementação da trégua, Hans Grundberg reconheceu que os combates continuaram e provocaram baixas civis. «Continuamos a ver relatórios preocupantes de combates contínuos, implicando incidentes com baixas civis, apesar da redução global», disse.

O enviado da ONU sublinhou a necessidade de abrir estradas em Taiz e outras zonas do país, o que facilitaria enormemente as deslocações e melhoraria a vida diária das populações. «Tivemos respostas positivas de todas as partes para avançar com isso», frisou.

«A promessa da trégua aos civis era de mais segurança, melhor acesso a bens e serviços essenciais, e maior liberdade de movimento dentro, para e a partir do Iémen», destacou Grundberg, acrescentando que «os iemenitas não se podem dar ao luxo de voltar ao estado anterior ao cessar-fogo, de escalada militar perpétua e impasse político».

Primeiro voo comercial em quase seis anos

O enviado da ONU disse ainda que o primeiro voo comercial em quase seis anos partiu do Aeroporto Internacional de Saná, na segunda-feira, e que outro voo trouxe iemenitas de volta.

O avião da Yemenia, com 126 passageiros a bordo, incluindo alguns doentes que esperavam há anos por tratamentos no estrangeiro, levantou voo com destino a Amã, capital da Jordânia.

Hans Grundberg referiu-se a este passo como algo de «importante», que era «há muito esperado». «Isto trouxe alívio a tantos iemenitas que esperaram tanto tempo para viajar, muitos deles por razões médicas urgentes, ou em busca de oportunidades de negócio ou educativas, ou para se reunirem com os seus seres queridos após anos de separação», sublinhou Grundberg.

«Estamos a trabalhar com todos os envolvidos para garantir a regularização dos voos durante a trégua e para encontrar mecanismos duradouros que permitam mantê-lo aberto», disse.

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