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Central sindical uruguaia defende direito ao protesto

O ministro da Saúde tentou responsabilizar as mobilizações sindicais pelo aumento de casos de Covid-19 no Uruguai. A PIT-CNT instou-o a provar isso e afirmou que os trabalhadores vão defender os direitos.

Montevideu, Avenida Libertador (4/6/2020) / Diego Battiste / El Observador
Montevideu, Avenida Libertador (4/6/2020) / Diego Battiste / El ObservadorCréditos

Fernando Pereira, presidente do Plenário Intersindical dos Trabalhadores – Convenção Nacional dos Trabalhadores (PIT-CNT), considerou «irresponsáveis» as declarações proferidas por Daniel Salinas, ministro uruguaio da Saúde, na Comissão da Saúde do Senado, de acordo com as quais as manifestações estudantis e de várias organizações sindicais seriam as responsáveis pelo grande aumento de casos de infecção pelo novo coronavírus no país austral.

Num comunicado emitido esta quinta-feira, Pereira diz que, nesse caso, «centenas de dirigentes sindicais, organizadores das mobilizações deviam estar com Covid-19», mas sublinha que isso não acontece.

«Agimos com total responsabilidade nas mobilizações sindicais e, na verdade, não tivemos de encerrar espaços sindicais por casos de Covid-19»

Fernando Pereira (PIT-CNT)

O dirigente sindical refere-se a todos os relatórios do Grupo Assessor Científico Honorário (GACH) para destacar que em nenhum deles se verifica que «os contágios procedam dessas manifestações».

Fernando Pereira lembra que no dia 6 de Dezembro o próprio ministro explicou onde estavam os 52 surtos activos na capital do país, Montevideu: «Dez em escolas, nove em clubes desportivos, quatro em espaços gastronómicos e três em residências para idosos, além de numerosos intra-familiares.»

«Agimos com total responsabilidade nas mobilizações sindicais e, na verdade, não tivemos de encerrar espaços sindicais por casos de Covid-19», sublinhou o dirigente da PIT-CNT, acrescentando: «Por sorte filmámos [as manifestações] com um drone para que se possa observar o distanciamento físico e a utilização das máscaras.»

Os trabalhadores não se vão calar

No comunicado, publicado nas redes sociais e na página da PIT-CNT, Pereira diz que, «embora não queira ser retrógrado», o ministro Salinas «é-o em certa medida», e espera que se retracte das afirmações que fez ou então que apresente provas científicas que as sustentem.

«Se as pessoas perdem o trabalho, não se vão mobilizar? É impensável um mundo sem gente a protestar»

Fernando Pereira (Pit-CNT)

Também lhe pergunta o que vão fazer os trabalhadores que um dia chegam ao trabalho e deparam com um corte salarial de 65% ou são confrontados com o despedimento; os que ficam sem trabalho, sem razões devidamente fundamentadas; os que vêem ser aprovado um orçamento que contempla cortes de cerca de 380 milhões de dólares na despesa, com impactos na Educação, na Habitação, na Saúde e nas Políticas Sociais.

Fernando Pereira entende que aquilo que o ministro propõe é que «não façamos o nosso trabalho sindical, que, quando ficamos sem trabalho, fiquemos parados». Em declarações à imprensa, questionou: «Se as pessoas perdem o trabalho, não se vão mobilizar?» «É impensável um mundo sem gente a protestar. […] O direito ao protesto é tão fundamental como o direito à liberdade de expressão», sublinhou.

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