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Castillo pede às autoridades eleitorais que não adiem a proclamação

O processo de escrutínio eleitoral, concluído esta terça-feira, confirmou Pedro Castillo como o candidato à Presidência do Peru mais votado. A adversária, Keiko Fujimori, recusa-se a reconhecer a derrota.

Pedro Castillo foi o candidato mais votado na segunda volta das eleições presidenciais no Peru e, desde quinta-feira passada, é referido como «presidente não proclamado» (imagem de arquivo) 
Pedro Castillo foi o candidato mais votado na segunda volta das eleições presidenciais no Peru e, desde quinta-feira passada, é referido como «presidente não proclamado» (imagem de arquivo) Créditos / operamundi.uol.com.br

Discursando perante milhares de apoiantes que se juntaram frente à sede do seu partido, Perú Libre, Castillo agradeceu as felicitações recebidas por parte de partidos políticos e organizações sociais, bem como de governadores e autarcas, que assim reconheceram a vontade expressa pelo povo.

«Nessa mesma linha, peço às autoridades eleitorais que de uma vez por todas deixemos de adiar e continuemos a pôr o povo peruano em perigo, e que seja respeitada a vontade popular do país», disse, citado pela Prensa Latina.

Agradeceu o apoio dos manifestantes e felicitou-os por defender de forma pacífica «o voto dos homens humildes que estão nas terras mais esquecidas, porque o voto do povo peruano é um voto digno».

Aludiu deste modo aos pedidos realizados pela candidatura da neoliberal Keiko Fujimori ao Júri Nacional Eleitoral para anular muitos milhares de votos de regiões pobres que apoiaram maioritariamente o candidato da esquerda, numa tentativa de reverter uma derrota eleitoral que não aceita.

«O povo peruano levantou a cabeça para dizer que vamos democraticamente salvar esta pátria, este país e que o voto de La Molina, Miraflores e San Isidro [zonas ricas de Lima] tem o mesmo peso cidadão e cívico que o do povo do recanto mais distante», frisou ainda Castillo, que fez um apelo à unidade e disse que não pode haver «ilusões», uma vez que «a batalha para acabar com as grandes desigualdades do país começa agora».

Também disse ser necessário estar atento «contra a desestabilização, a divisão e os golpes contra a democracia», referindo-se a políticos e antigos comandantes militares alinhados com Fujimori que pretendem levar por diante um plano de anulação da segunda volta das eleições presidenciais, prolongando os recursos contra o processo eleitoral até 28 de Julho, quando o novo governo deve tomar posse. Se não houvesse então um presidente proclamado, o Parlamento podia convocar novas eleições.

Fujimori, ao perder por pouco mais de 44 mil votos, trava «uma batalha contra o comunismo» 

Ao concluir o escrutínio – nove dias depois da jornada eleitoral, celebrada a 6 de Junho –, o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (GNPE) informou que Castillo obteve 8 835 570 votos (50,125%) e a sua adversária 8 791 521 (49,875%).

Também ontem, a candidata neoliberal à Presidência do Peru discursou perante apoiantes reunidos frente à sede do seu partido, Fuerza Popular, para afirmar que se recusava a aceitar a derrota e que a conclusão do processo de escrutínio pelo GNPE não era o mais importante.

Isso, defendeu, são os pedidos de anulação de actas eleitorais por alegadas irregularidades, que mais uma vez não fundamentou. Disse, no entanto, estar segura de que o JNE lhe irá dar razão.

Ontem, Fujimori anunciou que a equipa de advogados com que procura anular as actas de algumas das regiões onde se registou uma votação amplamente favorável a Castillo tinha sido reforçada com o ex-titular do Tribunal Constitucional Óscar Urviola.

Outro plano da ofensiva que Fujimori diz travar «contra o comunismo» é levado a efeito pelos seus apoiantes, que, refere a Prensa Latina, têm assediado as casas dos membros dos organismos eleitorais, para os pressionar.

Para dar força à estratégia de Fujimori, junto às instalações do seu Fuerza Popular, ontem não faltaram palavras de ordem «anti-comunistas» e Castillo foi acusado de «representar o terrorismo».

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