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À beira das eleições, mobilizações em defesa da democracia na Argentina

A três dias das eleições, Mães e Avós da Praça de Maio, familiares de vítimas da ditadura (1976-1983) e militantes de outras organizações distribuíram lenços brancos e apelaram à defesa da democracia.

Milhares de pessoas mobilizaram-se em Buenos Aires em defesa da democracia e contra as propostas da candidatura de La Libertad Avanza 
Milhares de pessoas mobilizaram-se em Buenos Aires em defesa da democracia e contra as propostas da candidatura de La Libertad Avanza CréditosRaúl Ferrari / Télam

Com o lema «Agora mais que nunca, Nunca Mais», esta quinta-feira, a três dias da segunda volta das eleições gerais, membros de várias organizações políticas, sindicais e sociais argentinas mobilizaram-se em diversos pontos da capital, Buenos Aires, tendo pedido aos cidadãos que votem «com memória».

Também denunciaram o negacionismo promovido por La Libertad Avanza (LLA), do candidato Javier Milei, e, por isso, imprimiram nos lenços brancos as frases «São 30 mil» e «30 mil presentes», em alusão aos 30 mil detidos-desaparecidos durante a ditadura.

Leopoldo Moureau, deputado da coligação Frente de Todos, sublinhou a importância deste tipo de iniciativas porque «aquilo que está em risco é a democracia». Em declarações à agência Télam, disse que «em democracia se podem perder eleições, mas numa eleição não se pode perder a democracia», referindo-se à «metodologia terrorista» de Javier Milei, que «incentiva ameaças aos adversários políticos, vandaliza universidades e espaços partidários».

Por seu lado, o neto recuperado Guillermo Pérez Roisinblit disse às pessoas que se juntaram na Praça de Maio: «Entregamos lenços que representam a luta das Mães e Avós, pilares dos consensos que soubemos alcançar em quatro décadas de uma democracia que tanto nos custou a conseguir.»

A inciativa realizou-se na capital argentina com o lema «Agora mais que nunca, Nunca Mais» // Raúl Ferrari / Télam

Várias vozes alertaram para o negacionismo dos crimes cometidos na ditadura pelo terrorismo de Estado. Alejandro Méndez, sobrevivente do centro clandestino de detenção de Campo de Mayo, mostrou-se desconcertado com o ressurgimento do negacionismo «numa sociedade com uma história como a argentina».

«Penso que é um avanço da direita, que anda a trabalhar nisso há algum tempo, mas ainda não venceu; podemos aguentar a nossa democracia», disse Méndez, citado pela Télam.

Por seu lado, Daniel Catalano, secretário-geral do sindicato ATE Capital, destacou que esta mobilização é «uma resposta às ofensas que os organismos e a nossa história têm vindo a sofrer da parte do negacionismo que representa hoje Milei e Villarruel».

Em simultâneo, congratulou-se com a existência de «uma sociedade mobilizada e uma micro-militância muito forte face às propostas que a extrema-direita está a fazer».

Mais iniciativas contra a extrema-direita

Ontem e nos últimos dias, tiveram lugar várias acções contra a dupla de candidatos da LLA, Milei-Villarruel, tendo em conta as propostas que fazem.

A da privatização da Educação teve como resposta vigílias em defesa da Educação pública e um acto, liderado pela reitora da Universidad Nacional Madres de Plaza de Mayo, Cristina Caamaño, em que esta fez a defesa das universidades como espaço de «construção democrática e destacada formação profissional com consciência crítica, compromisso social e respeito pelos direitos humanos».

Por seu lado, refere a Prensa Latina, os trabalhadores do Banco Central realizaram uma marcha contra a proposta de Milei de dolarizar a economia e eliminar essa entidade.

Já a Confederação Argentina dos Desportos pronunciou-se contra a privatização do sector em comunicado. «Não são tempos para manter silêncios cúmplices», afirmou, repudiando as propostas do candidato Milei na área do desporto.

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