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Bancários protestam no Rio contra despedimentos em bancos privados

Acordo firmado pelos bancos que prevê a manutenção dos empregos durante a pandemia não tem sido cumprido, denuncia o Sindicato dos Bancários do Rio.

O Sindicato dos Bancários do Rio destaca que os bancos estão a despedir e a acumular lucros na fase da da pandemia de Covid-19
O Sindicato dos Bancários do Rio destaca que os bancos estão a despedir e a acumular lucros na fase da da pandemia de Covid-19 Créditos / Brasil de Fato

As agências bancárias de Santander, Itaú e Bradesco localizadas na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, amanheceram fechadas esta quinta-feira, em protesto contra os despedimentos em massa que os bancos têm realizado durante a pandemia, revela o Brasil de Fato. A jornada de protesto contou ainda com uma manifestação dos bancários, para explicar à população as suas principais reivindicações.

O Sindicato dos Bancários do Rio, responsável pela organização, explica que os bancos privados, incluindo o Bradesco, Itaú e Santander, assinaram um acordo em que se comprometiam a não despedir trabalhadores nesta fase, excepto em situações de justa causa.

No entanto, as empresas não estão a cumprir o acordo. Segundo o sindicato, os despedimentos no Santander começaram em Julho, primeiro de forma pontual, em várias agências e cidades, mas, depois, os números foram crescendo. «Itaú e Bradesco seguiram a mesma cartilha: despedimentos pontuais que se tornaram dezenas e, depois, centenas», revela o portal brasileiro.

Despedida por e-mail, depois de 33 anos no banco

Uma bancária, que preferiu não se identificar, contou ao Brasil de Fato que trabalhou 33 anos no Bradesco e foi despedida por e-mail durante a pandemia de Covid-19.

A funcionária disse que tem «33 anos de banco» e estava em regime de teletrabalho, sem que lhe fosse atribuída qualquer função. No dia 1 deste mês, foi confrontada com o despedimento na sua conta de e-mail.

«Disseram que eu não sirvo mais para a empresa. Isso tirou o meu chão. Eu queria ter uma explicação, por que os bancos estão fazendo isso? Demitir na pandemia é uma crueldade», denunciou.

O sindicato sublinha que nenhum dos bancos referidos teve prejuízo na fase da pandemia. De acordo com os dados da organização sindical, o Itaú lucrou mais de oito mil milhões de reais (1,2 mil milhões de euros) no primeiro semestre; o Bradesco sete mil milhões de reais (mil milhões de euros) e o Santander seis mil milhões de reais (0,9 mil milhões de euros).

Adriana Nalesso, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, afirma que nos últimos sete meses os bancos economizaram com as medidas adoptadas pelas empresas para combater o coronavírus.

«Quem lucra não pode despedir num momento de pandemia. Os bancos estão economizando milhões com o fechamento de agências e o teletrabalho. Não há justificação para atirar milhares de famílias para o desemprego em plena pandemia», disse.

«Eles fazem propaganda de que são solidários, exploram a imagem de socialmente responsáveis, mas têm agido de forma cruel. A nossa denúncia tem ecoado nas redes sociais e agora está ocupando as ruas», acrescentou.

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