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Aumenta a pressão sobre o ministro chileno do Interior

Os pedidos de demissão sucederam-se após a morte do jovem mapuche Camilo Catrillanca. Novas revelações sobre o caso fragilizam a posição de Andrés Chadwick, considerado figura-chave no governo de Piñera.

A família de Camilo Catrillanca (no funeral do jovem) exigiu a demissão do ministro do Interior chileno desde o início
A família de Camilo Catrillanca (no funeral do jovem) exigiu a demissão do ministro do Interior chileno desde o inícioCréditos / publimetro.cl

Camilo Catrillanca, indígena mapuche de 24 anos, foi assassinado no dia 14 de Novembro de 2018, na região da Araucânia, por agentes do Grupo de Operações Policiais Especiais (GOPE) dos Carabineiros, que afirmaram que a morte ocorrera durante uma troca de disparos.

No entanto, a investigação que se seguiu veio provar a falsidade de tal versão, que os agentes enganaram deliberadamente a opinião pública chilena, esconderam provas importantes e prestaram falsas declarações, revela a Prensa Latina.

Tanto a morte de Catrillanca como a violência a que o GOPE é acusado de recorrer contra o povo Mapuche deixaram os Carabineiros e o ministro do Interior em maus lençóis: com as críticas, os protestos e as manifestações de denúncia a sucederem-se no país austral.

No final de Dezembro, a saída do general Hermes Soto da chefia dos Carabineiros e a de vários oficiais do comando desse corpo levaram a que os pedidos de demissão de Chadwick abrandassem.

Mas ontem o seu nome veio novamente à ribalta, depois de o periódico Interferencia ter revelado um depoimento do general Mauro Victtoriano, antigo chefe de Controlo da Ordem Pública em Araucânia. Este declarou ter informado Chadwick, por via telefónica, logo nos primeiros momentos, que a vítima não estava armada e que, dessa forma, não tinha havido uma troca de tiros com os Carabineiros.

Confrontado com esta revelação, o ministro disse à imprensa, esta segunda-feira, que o general até poderá ter-lhe dito isso mas que «a comunicação era má» e «havia interferências».

Em todo o caso, nos dias que se seguiram ao assassinato de Catrillanca, o ministro e demais representantes do governo chileno ignoraram essa informação, tendo sempre afirmado o jovem mapuche tinha sido morto «em fogo cruzado».

Partidos da oposição exigem a demissão

Organizações juvenis dos partidos da oposição decidiram entregar, esta terça-feira, de forma unitária no Palácio de La Moneda, em Santiago do Chile, uma carta dirigida ao presidente Sebastián Piñera em que se exige a demissão do ministro do Interior, Andrés Chadwick.

Com o mesmo propósito – exigir a demissão de Chadwick –, uma representação da bancada parlamentar da Renovação Democrática também estará presente em La Modena, revelou o periódico El Ciudadano.

Ontem, a máxima direcção do Partido Socialista emitiu um comunicado no qual também exige a saída do ministro, considerando que, após as revelações mais recentes sobre o homicídio de Camilo Catrillanca, a posição do titular da pasta do Interior, que contou sempre com o apoio total do presidente Piñera, é «insustentável».

Também ontem, o Partido Comunista do Chile sublinhou, em comunicado, que «o ministro Chadwick conhecia as circunstâncias exactas em que ocorreu a morte e não foi claro perante a opinião pública», pelo que tomou a decisão política de exigir a sua demissão.

Para além disso, com a etiqueta #ChadwickRenuncia, foi convocado para hoje, em todo o país, um protesto ruidoso, um «panelaço» – do castelhano «cacerolazo» – de protesto contra o ministro do Interior.

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