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Ainda sem proclamação, a vitória no Peru é de Castillo

O candidato Pedro Castillo garantiu uma vantagem de 63 441 votos na contagem oficial, impossível de ser superada, mas não foi ainda proclamado por causa das acusações de fraude da sua rival Keiko Fujimori.

CréditosStringer / Epa/Lusa

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) divulgou esta quinta-feira que Castillo tem 8 791 778 votos e Fujimori 8 720 337, o que corresponde a 50,2% e 49,7%, respectivamente, com 99% das urnas contadas.

O Júri Nacional de Eleições (JNE), de acordo com a lei, pode proclamar o vencedor ao final da contagem ou quando a diferença entre os votos daquele que está em primeiro lugar for maior do que aqueles das urnas que falta verificar, como é o caso.

No entanto, a contestação a 802 urnas que contêm aproximadamente 500 mil votos, especialmente nos territórios andinos onde Castillo ganhou por uma ampla margem, impedem que o professor da escola rural seja proclamado o novo presidente.

Fujimori anunciou quarta-feira à noite que contestava esses votos por «irregularidades», as quais terá de provar com fundamentos específicos na lei eleitoral, para conseguir anular mesas de voto depois de o acto eleitoral estar completado.

Os especialistas eleitorais consideram a maioria das insinuações de fraude inconsistentes.

Por sua vez, o candidato de esquerda lançou uma mensagem nas redes sociais na qual agradeceu aos seus apoiantes, que continuam a resistir nas ruas em defesa da decisão popular, pediu calma e exortou-os a não cair em provocações «daqueles que querem ver este país no caos».

Descartada a possibilidade de anulação de eleição

Um especialista em trâmites eleitorais e um ex-procurador concordaram hoje, ao advertir que é juridicamente impossível anular a acta da última votação no Peru, como afirma a candidata Keiko Fujimori.

O advogado Jorge Jáuregui, especialista em direito eleitoral, que no domingo passado assegurou à RPP Notícias que o sistema de processamento de actas no Peru «é muito e fiável», descartou a viabilidade dos mais de 800 recursos de anulação apresentados pelo Fuerza Popular, partido de Fujimori, por a legislação actual estabelecer que esse procedimento é para ser apresentado durante e não depois do pleito.

Acrescentou que a justiça eleitoral estabelece motivos muito limitados para anular uma acta, como pressão violenta, suborno e outras acções externas durante a votação, e exige provas múltiplas e conclusivas do momento da infracção.

O ex-procurador Ronald Gamarra, jurista que faz parte da equipa que defende os votos de Castillo, afirmou estar confiante de que todas as impugnações serão rejeitadas e que o voto do cidadão é inatacável.

Considerou inadmissível e um abuso do direito a tentativa de roubo ou sequestro dos votos de 200 mil eleitores, especialmente das populações pobres das regiões andinas.

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