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Agradecimento dos mais humildes é a maior recompensa da Brigada Médica cubana

Cuba decretou o regresso imediato de todo o pessoal da Brigada Médica na Bolívia, após a detenção arbitrária de 4 dos seus membros. O segundo grupo de cooperantes chegou a Havana esta segunda-feira.

Desde sábado à noite, chegaram a Cuba 431 dos mais de 700 membros da Brigada Médica na Bolívia
Desde sábado à noite, chegaram a Cuba 431 dos mais de 700 membros da Brigada Médica na Bolívia Créditos / cubanet.org

Em pouco mais de 24 horas, aterraram no Aeroporto José Martí, em Havana, dois voos provenientes da Bolívia com 431 profissionais cubanos da saúde, internacionalistas que prestavam diversos serviços nesta área no país andino-amazónico.

O mais recente chegou na madrugada desta segunda-feira, com 207 cooperantes cubanos a bordo, incluindo os quatro que foram detidos arbitrariamente na quarta-feira da semana passada em El Alto, na Área Metropolitana de La Paz.

«Sentimos uma profunda consternação pela violência desencadeada na Bolívia. Vocês foram vítimas do ódio e do acosso injustificado de quem nada tem a ver com esse povo agradecido», afirmou o vice-ministro cubano da Saúde Pública, Alfredo González, à chegada do pessoal médico.

O funcionário afirmou que ninguém poderá pôr em causa as missões internacionalistas que os cubanos levaram a cabo nas circunstâncias mais adversas, de terremotos, furacões e epidemias, e dirigindo-se aos 207 cooperantes acabados de chegar a Havana, acrescentou: «O mais belo da obra por vocês desenvolvida é o exemplo de elevada sensibilidade humana, entrega sem limites e altruísmo que em todo o momento entregaram a esse povo irmão.»

Roteiro seguido pelos inimigos de Cuba

O vice-ministro disse ainda que, perante os ataques aos médicos e à Revolução Cubana, «não se ajustam outros qualificativos que não sejam os de injustos e inaceptáveis», informa o portal Cuba Debate.

«Trata-se de um roteiro que está a ser seguido pelos nossos inimigos, sob a direcção do governo dos Estados Unidos, que pretende apagar o exemplo e denegrir o trabalho altruísta que, ao longo de 60 anos, os profissionais da saúde cubanos edificaram», frisou.

Neste contexto, Alfredo González reafirmou a decisão de continuar a colocar à disposição dos povos que assim o solicitarem a ajuda solidária dos colaboradores da saúde cubanos, tendo ainda sublinhando que o governo cubano irá garantir o regresso ao país de todos os membros da Brigada Médica na Bolívia.

«O agradecimento dos mais humildes» é a maior recompensa

Em nome dos cooperantes, o médico Lester Pérez Hernández afirmou que a maior recompensa do corpo médico cubano «é e será sempre o agradecimento dos mais humildes, dos mais necessitados, dos muitas vezes esquecidos», e vincou o «carinho incondicional» que sentirão pelo povo boliviano: «um povo que fizemos nosso e não há campanha manipuladora que consiga esconder o nosso único fim: melhorar a saúde das bolivianas e dos bolivianos», destacou.

Os primeiros 224 elementos dos mais de 700 que integravam a Brigada Médica na Bolívia chegaram a Havana no sábado à noite, na sequência das ameaças e do acosso que sofreram por parte da Polícia e grupos afins ao governo golpista na Bolívia, indica a Prensa Latina.

Recentemente, as autoridades cubanas decretaram o regresso imediato de todo o seu pessoal médico no país sul-americano, depois de quatro membros da Brigada terem sido detidos, no dia 13, pela Polícia boliviana em El Alto, quando se dirigiam para casa com o dinheiro levantado num banco para pagar serviços básicos e os alugueres dos 107 membros da Brigada nessa região.

Segundo a Prensa Latina, as detenções foram levadas a cabo por ordem dos golpistas bolivianos «sob a falsa acusação de que os profissionais cubanos financiavam os protestos contra a usurpação e em defesa da democracia» na Bolívia.

Foram também detidos, na sexta-feira passada, a chefe da Brigada Médica na Bolívia e mais cinco colaboradores, que acabaram por ser libertados ao final do dia, na sequência da denúncia de Cuba e da pressão internacional.

Em 13 anos de presença da Brigada na Bolívia – desde o início da governação de Evo Morales –, passaram pelo país andino 17 648 profissionais da saúde cubanos, que realizaram mais de 73 milhões de consultas e 1 529 301 intervenções cirúrgicas, informa o Cuba Debate.

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