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Política intervencionista dos EUA e golpe na Bolívia condenados em Havana

A ALBA-TCP denunciou a política agressiva dos EUA, que desestabiliza a América Latina, com a cumplicidade da comunicação social e de oligarquias locais, e a implementação de modelos neoliberais.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, dialogam no decorrer da XVII Cimeira da ALBA-TCP, celebrada este sábado em Havana
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, dialogam no decorrer da XVII Cimeira da ALBA-TCP, celebrada este sábado em Havana Créditos / @CancilleriaVE

Na Declaração da XVII Cimeira da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), que ontem decorreu na capital cubana, afirma-se que o golpe contra Evo Morales, na Bolívia, é «uma expressão clara da estratégia imperialista de Washington no hemisfério ocidental».

O documento, lido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, condena igualmente a intenção dos EUA de violar a soberania dos povos em função das suas pretensões hegemónicas.

Para os participantes no encontro, não há dúvidas quanto à cumplicidade da oligarquia boliviana na «violenta interrupção da institucionalidade democrática» no país andino, nem quanto ao «apoio complacente de outras oligarquias da região».

Denunciam ainda que, na Bolívia, «se multiplicaram a intolerância, o racismo, a repressão brutal contra os movimentos sociais e os povos originários, com a clara determinação de reverter as conquistas alcançadas pelo povo» durante a governação de Evo Morales.

A ALBA-TCP condenou também as ameaças de recurso à força por parte dos Estados Unidos contra a Venezuela, bem como a manutenção e o reforço de medidas coercitivas unilaterais contra o seu povo.

Declarando o apoio à revolução bolivariana, o mecanismo criado em 2004 por Hugo Chávez e Fidel Castro rejeitou ainda a activação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) contra o país caribenho e denunciou as ameaças e repetidas tentativas de desestabilização dirigidas à presidência de Daniel Ortega na Nicarágua.

EUA atentam contra o princípio da América Latina como Zona de Paz

A política norte-americana viola gravemente o princípio da América Latina como Zona de Paz, referiu Bruno Rodríguez ao ler a Declaração, denunciando que Washington retoma métodos que pareciam ultrapassados na região e aplica novas fórmulas da guerra não convencional em vários países, com o intuito de recuperar os espaços conquistados pelos governos progressistas.

Foram também apontadas e condenadas as sistemáticas acções levadas a cabo pelos Estados Unidos para sabotar a cooperação cubana em vários países em prol dos que mais precisam, assim como as pressões exercidas sobre alguns governos para que ponham fim a essa cooperação.

O texto sublinha que a assunção do poder por governos neoliberais na região gerou retrocessos visíveis nas políticas sociais, fez aumentar a pobreza e a desigualdade social, e pôs de parte amplos sectores populares. Este cenário e a corrupção crescente, entre outros factores, provocaram as múltiplas manifestações de descontentamento e revolta na América Latina, nomeadamente no Chile, na Colômbia e no Equador.

Participação de elevado nível

Na XVII Cimeira da ALBA-TCP, que ontem se realizou em Havana, estiveram presentes os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel, da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Nicarágua, Daniel Ortega, o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, além de outros altos representantes dos países que integram o bloco e convidados.

Criada em Havana a 14 de Dezembro de 2004 por inciativa dos então presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro, a ALBA-TCP, cujo secretário executivo é o ex-ministro boliviano dos Negócios Estrangeiros, David Choquehuanca, integra os dois países fundadores, a Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas, o Suriname, Santa Lúcia, São Cristóvão e Nevis, e Granada.

Em Novembro último, depois do golpe na Bolívia, o governo golpista da autoproclamada Áñez anunciou a saída do país andino deste bloco, tal como fez o Equador, governado pelo «traidor» Lenín, no ano passado.

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