|FRANCISCO PALMA

Refletindo uma sociedade em transição

«Cérebros, distantes» de Nuno Cera, «À Flor da Pele», de Ana Teixeira, «Como um rio» de Jusete e coletiva «Ficalho Artes», com António Acabado, A. Réu e Bento Sargento.

Exposição «Cérebros, distantes» de Nuno Cera no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, até 22 de fevereiro de 2026
Exposição «Cérebros, distantes» de Nuno Cera no Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, até 22 de fevereiro de 2026Créditos / Nuno Cera

O Museu do Neo-Realismo1, em Vila Franca de Xira, apresenta a exposição «Cérebros, distantes» de Nuno Cera. A exposição, integra-se no ciclo «Movimento De Resistência, Arte Contemporânea No Museu Do Neo-Realismo», tem curadoria de David Santos e estará patente até 22 de fevereiro de 2026.

«Cérebros, distantes» (2023–2025) é o projeto mais recente de Nuno Cera (Beja, 1972) concebido como uma vídeo-instalação, acompanhada por uma série de fotografias e uma publicação com textos inéditos de David Santos, Eva Mendes, Jaime Ulisses Martins-Barata, e Joana Rafael. 

Cérebros, distantes «parece dar continuidade a uma investigação relacionada com os efeitos produzidos na relação dicotómica entre a tecnologia e a natureza (…) Envolta de sugestões e questionamentos no que respeita a sua condição temporal, cérebros, distantes desenvolve essa questão e reflete sobre a premissa de uma transformação tecnológica iniciada, sensivelmente, no início do século XX e cuja aceleração fugaz lhe concede um carácter simultaneamente contemporâneo e distópico.», segundo Eva Mendes, curadora e critica de arte.

Este projeto «desenvolve-se numa sequência de episódios em que robôs interagem com outras espécies inteligentes, em diferentes contextos — fábricas, universidades, laboratórios e hospitais. Centrada na interação contemporânea entre robôs, humanos e plantas, esta minha nova investigação resulta da colaboração com Julia Albani, Joana Rafael e vários autores — cientistas, críticos e um músico — e pretende ser, simultaneamente, uma arqueologia e uma memória do tempo presente, refletindo uma sociedade em transição», segundo texto de Nuno Cera.

No filme que se apresenta na exposição e que dá nome à exposição, «ouvimos a certa altura um robot dirigir-se ao artista: "Estás com medo, Nuno?" E nós, identificamo-nos com esse medo, ou enfrentaremos com coragem, autonomia e curiosidade o destino dos nossos "cérebros", a sua partilha ou fusão com as máquinas digitais que nos ocupam o espaço da vida e da transcendência? Tal como refere Hans Belting, em arte nunca encontramos "imagens definitivas ou verdades derradeiras." Que assim permaneça, para reforço da nossa inquietação artística e existencial.», refere o texto da exposição.

Obra de Jusete, Islândia II, Técnica Mista s/tela, 90x60 cm. Exposição «À Flor da Pele», de Ana Teixeira na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, até 14 de fevereiro de 2026 Créditos

A Sociedade Nacional de Belas-Artes2, em Lisboa, acolhe na sua Galeria de Arte Moderna a exposição «À Flor da Pele», de Ana Teixeira. Esta exposição pode ser visitada até 14 de fevereiro de 2026.

Com a curadoria de Ana Lima-Netto, a exposição «À Flor da Pele» resulta «de um percurso desenvolvido entre 2010 e 2023, a exposição reúne um corpo de trabalho onde fotografia, teatro e paisagem se cruzam de forma sensível e poética. 

A partir da experiência prolongada da artista na Serra do Louro, em diálogo com o Teatro O Bando, Ana Teixeira constrói imagens que integram diferentes tempos, perspetivas e lugares, revelando a natureza como espaço de metamorfose, memória e resistência e propondo uma reflexão sobre o ciclo da vida, a fragilidade humana e a força persistente da regeneração, mesmo após a devastação», segundo o texto divulgado da exposição. 

As imagens foram captadas essencialmente em dois períodos, durante os ensaios do espetáculo realizado pelo Bando em 2013 “Jangada de Pedra”, obra de José Saramago, e também na Serra de do Louro, em 2023, após o incêndio e ao longo de vários anos, em que Ana Teixeira regressou a este lugar, «encontrando objetos transformados pelo vento, pela luz e pela erosão, revelando o ciclo natural da mudança na natureza, onde nada cessa: tudo se transfigura.».

Exposição «Como um rio» da artista Jusete na Galeria de Arte Imargem, em Almada, de 13 de fevereiro a 4 de março de 2026 Créditos

A Galeria de Arte Imargem3, em Almada, vai apresentar a exposição «Como um rio» da artista Jusete (1940), com inauguração a 13 de fevereiro às 18 horas e decorre até 4 de março de 2026. A artista apresenta nesta exposição obras de pintura e cerâmica do período de 1996 até 2025, recebeu a sua formação em diversos cursos, mais recentemente na Imargem- Associação de Artistas Plásticos do Concelho de Almada, associação a que a artista pertence como sócia produtora.

Acerca de como desenvolve os seus trabalhos, a artista assume que o ato criativo tem uma analogia com um rio, como refere no título. «Assim como um rio que nasce no ventre da Terra Mãe…  Que corre primeiro de mansinho, tateando o chão, regando as margens... Por vezes, turbulento, ganhando velocidade, inundando... Depois mais aventureira procurando outras margens». 

Uma especial referência para os últimos trabalhos, realizados entre os anos de 2023 e 2025, seis pinturas de memória de uma viagem que a artista fez à Islândia, a que chamou de “terras de fogo e do gelo”. Acerca da obra que se apresenta na imagem “Islândia II”, a artista revelou-nos que pretendeu «representar um planeta distante, em forma de minério multicor, de onde estaríamos a receber outras pessoas de outros mundos e de outras culturas», ou seja, uma metáfora aos conceitos de acolhimento e de hospitalidade a pessoas de outros povos. 

Acerca da importância do conceito de hospitalidade, já Jacques Derrida, em 1992, como resposta à questão da identidade cultural europeia afirmou: «Aquilo que é próprio de uma cultura não deverá ser idêntico a si mesmo». O que Derrida pretende aqui afirmar é que faz parte da natureza de qualquer cultura explorar a diferença e estar sempre disponível para uma abertura permanente em relação aos outros no seio da nossa própria cultura. 

É este o olhar que a artista Jusete apresenta nos trabalhos desta série, no entanto, noutras obras suas, poderemos ver referências a memórias de contactos que a artista teve com outros povos e outras culturas, como seja da Índia, África, Vietname, Japão, Austrália, entre outros.

Obra de António Acabado, Sorriso, Madeira de urze e ferro. Exposição de artes plásticas «Ficalho Artes», com António Acabado, A. Réu e Bento Sargento no Centro Cultural do Bom Sucesso, em Alverca do Ribatejo, até 22 de fevereiro de 2026

O Centro Cultural do Bom Sucesso4, em Alverca do Ribatejo, apresenta a exposição de artes plásticas «Ficalho Artes», com obras de António Acabado, A. Réu e Bento Sargento, com a curadoria de David Monge. A exposição decorre até 22 de fevereiro.

A exposição «Ficalho Artes» reúne obras de três artistas naturais de Vila Verde de Ficalho, Bento Sargento e A. Réu, na área da pintura, e de António Acabado, na escultura e propõe uma «viagem sensível entre formas, materiais e narrativas que atravessam o tempo e o território.» como refere o texto da exposição.

António Acabado (1956) é um escultor cuja obra nasce da profunda ligação com a natureza. Apaixonado pela madeira, em especial pelas raízes de urze, encontra nas suas formas orgânicas e nos veios expressivos a inspiração para criar esculturas de carácter abstrato e simbólico, que refletem o seu olhar interior e a harmonia entre o homem e o meio natural. António Pepe Ferreira (1966) apresenta trabalhos numa aproximação ao universo artístico do autor, destacando o papel central da memória no processo criativo, apresentando atmosferas e recantos pitorescos da vila de outros tempos. Bento Sargento participou em quase todas os Salões de Pintura Naïf do Casino Estoril, onde recebeu várias menções honrosas, e tem feito exposições por todo o País e no estrangeiro. 

O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Museu do Neo-Realismo – Rua Alves Redol nº45 2600-099 Vila Franca de Xira. Horário: terça a sexta-feira e domingo, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 19h.
  • 2. Sociedade Nacional de Belas-Artes – Rua Barata Salgueiro, n.º 36, 1250-165 Lisboa. Horário: Dias úteis, das 12h00 às 19h, e sábados, das 14h às 19h
  • 3. Galeria de Arte Imargem – Rua Torcato José Clavine, 19 Piso 03, Almada 2800-710. Horário: segunda e terça-feira, das 10h às 13h e das 15h às 18h; quarta-feira, das 10h às 13h e das 16h às 19h; quinta-feira, das 10h às 14h; sexta-feira, das 10h às 13h.
  • 4. Centro Cultural do Bom Sucesso – Rua Fonte de São Romão, 1 - Bom Sucesso | 2615-306 Alverca do Ribatejo. Horário: terça a domingo, das 10h às 17h30.

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