A Oficina de Artes Manuel Cargaleiro1 no Seixal, apresenta a exposição «O Infinito Lugar da Luz» até 12 abril 2026.
A exposição «O Infinito Lugar da Luz» aborda não só a arte de Manuel Cargaleiro, um dos maiores artistas plásticos do século XX português, como a sua dimensão pessoal, ao apresentar algumas das obras de outros artistas que colecionou e através da recriação do espaço de trabalho que tinha na Quinta da Silveira de Baixo, em Almada.
A recriação do ateliê de Manuel Cargaleiro, numa instalação que ficará permanentemente na oficina de artes é, assim, um dos atrativos desta exposição, que apresenta um conjunto de obras da autoria do mestre. Neste espaço temos igualmente a oportunidade de contemplar obras cedidas temporariamente para esta exposição pela Fundação Manuel Cargaleiro.
Com principal enfoque nas últimas obras do mestre, que ele mesmo doou ao município, as obras de Manuel Cargaleiro presentes nesta mostra são, contudo, representativas de diversos suportes e técnicas, integrando estudos e desenhos, tendo sido realizadas em períodos diversos e em diferentes fases de criação.
Esta exposição acolhe ainda trabalhos de outros artistas, que enfatizam a vertente de colecionador do mestre. Aqui, podemos constatar a presença de obras de ilustres que antecederam Manuel Cargaleiro, como Sonia Delaunay, Marcelle Cahn, Vieira da Silva, Arpad Szenes, Nathalia Goncharova e Zao Wou-Ki, e admirar criações de artistas consagrados da sua geração, como é o caso de Júlio Resende, Armando Alves, José Escada, René Bértholo, Lourdes Castro, José Rodrigues, Eduardo Luiz e Pedro Avelar.
Neste mesmo espaço, uma obra conjunta realizada entre o mestre e Vhils (Alexandre Farto), artista de renome internacional nascido no concelho do Seixal, dá-nos também uma visão de atualidade e de futuro do percurso artístico de Manuel Cargaleiro.

Para conhecer até 12 de abril, na Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, localizada na Quinta da Fidalga, «O Infinito Lugar da Luz» tem o Alto Patrocínio da Presidência da República e oferece uma oportunidade imperdível para conhecer a obra, mas também a pessoa de Manuel Cargaleiro e o percurso que o tornou um dos nomes incontornáveis das artes plásticas mundiais no decorrer do século XX.
O espaço expositivo da Appleton Associação Cultural2, em Lisboa, apresenta a exposição de escultura «Robert Wiley: Build, Branch, Bind», que pode ser visitada até 2 de abril.
«Build, Branch, Bind apresenta uma seleção focada de esculturas recentes do artista Robert Wiley, cuja prática se desenvolve na interseção entre o conhecimento material, o artesanato técnico e o terreno mutável entre o intelecto e a emoção. Formado em artes plásticas e também trabalhando na área de conservação e restauração, Wiley move-se fluidamente entre o rigor científico e a criação intuitiva e exploratória. O seu trabalho propõe que a escultura pode funcionar simultaneamente como investigação e como sentimento — um registo em evolução do envolvimento meditativo com materiais, memória e as complexidades silenciosas da experiência vivida.
Em vez de começar com a intenção de moldar «objetos de arte» discretos, esta exposição trata os materiais como locais para vaguear. O seu processo privilegia o toque, a repetição e uma lentidão atenta, permitindo que as formas surjam organicamente a partir de acumulações de gestos, recordações e encontros com o quotidiano. O vidro, uma das suas disciplinas técnicas há muito praticadas, está ao lado da madeira, do arame, do metal e de uma variedade de fragmentos encontrados ou descartados. Estes elementos são tratados não como componentes secundários, mas como colaboradores ativos, cada um carregando histórias que influenciam a direção do trabalho. Ao combinar tradições artesanais altamente desenvolvidas com uma curiosidade pelo descartado e negligenciado, Wiley cria estruturas que mantêm tanto a precisão do estúdio quanto a imprevisibilidade dos materiais com vidas anteriores.», segundo o texto da exposição.
A Appleton Associação Cultural apresenta também no mesmo período uma exposição de Cristina Ataíde, com o título «Espaço Intermédio», onde a artista apresenta uma exposição com esculturas e desenhos que reconhecem a memória inscrita em pedaços de árvore caídas com as intempéries ou abatidas pelos homens. O que permanece para além da queda.
A Exposição «A Marginália de Amadeo» vai decorrer de 5 de março a 4 de abril de 2026, na Galeria novaOgiva em Óbidos3.
Com curadoria de Samuel Silva, a exposição reúne, pela primeira vez, cerca de meia centena de obras que revelam o lado mais íntimo e experimental do artista amarantino. Entre os destaques estão desenhos inéditos encontrados nos frontispícios e páginas soltas dos seus manuais escolares, provenientes da biblioteca privada da casa da família em Manhufe (Amarante), bem como manifestações gráficas presentes em livros literários de várias coleções privadas e institucionais. A exposição integra ainda obras do acervo do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, incluindo esboços, apontamentos, cartas, postais, revistas e algumas pinturas paradigmáticas.
«Esta proposta expositiva que valoriza a força plástica, a cor e a inquietação criativa associadas ao modernismo português. Entre obras, documentos ou núcleos interpretativos, a exposição cria um percurso de descoberta que aproxima públicos diversos de uma figura incontornável, oferecendo novas leituras e diálogos com o presente», como refere o texto da exposição.
O curador revela-nos ainda que todos estes trabalhos foram organizados em quatro núcleos, no primeiro núcleo podemos encontrar pequenos esquiços e desenhos, com uma certa ironia e sátira, num segundo núcleo teremos livros e fac-símiles, que nos mostram a relação de Amadeo com a palavra, com algumas experiências gráfico espaciais, poemas e ilustrações, no terceiro núcleo vamos encontrar uma espécie de bestiário em conjunto com algumas paisagens, o quarto e último núcleo e último vamos encontrar uma série de retratos e autorretratos e algumas caricaturas anticlericais que fez em Coimbra.
Esta exposição insere-se no projeto «Paisagens Visuais», aprovada pela Direção-Geral das Artes no âmbito da RPAC, da responsabilidade do Município de Amarante. O projeto contemplou uma itinerância, que além da presença desta exposição na Galeria Nova Ogiva (Óbidos), já passou pela Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), pelo Museu Côa Parque (Vila Nova de Foz Côa) e Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (Amarante).
O espaço «A jogar É Que A Gente Se Entende», em Vila do Conde4, apresenta a exposição «Manchas» de Mané Sousa, que pode ser visitada até 5 de abril.
Mané Sousa, que já tem vindo a apresentar um projeto em cerâmica, nesta exposição reúne um conjunto de obras em acrílico, onde «explora a fluidez da cor, a orgânica do gesto e a abstração. Cada pintura nasce do encontro entre água, pigmento e impulso, revelando formas que parecem emergir e dissolver-se num mesmo movimento. As manchas, ora subtis, ora intensas, evocam diversas emoções sem nunca se fixarem numa narrativa única, convidando o olhar a completar o que a artista apenas sugere», segundo o texto da exposição.
O referido texto refere ainda que nesta exposição, «a matéria pictórica torna-se território de descoberta, onde o acidental e o intencional convivem, revelando a poética silenciosa que caracteriza o universo visual de Mané Sousa».
- 1. Quinta da Fidalga – Oficina Manuel Cargaleiro – Av. República 2571, 2840-468 Arrentela, Seixal. Horário: terça-feira a sábado, das 10h às 12h30 e das 14h às 17h.
- 2. Appleton Associação Cultural – Rua Acácio Paiva, nº27 r/c 1700-004 Lisboa. Horário: terça-feira a sábado, das 14h às 19h.
- 3. Galeria novaOgiva – Rede de Museus e Galerias de Óbidos, Rua Direita 2510-086 Óbidos. Horário: 9h30 – 13h / 14h – 17h30.
- 4. A Jogar É Que A Gente Se Entende – Rua Joaquim Maria de Melo 244, 4480-002 Vila do Conde – Vila do Conde. Horário: segunda, quinta e domingo, 14h – 0h; sexta e sábado, 14h – 2h.
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