O CAS – Centro de Artes de Sines1, no Centro de Exposições, apresenta a exposição de fotografia «Sombra, quase luz» de Rui Pereira, Veríssimo Dias e Vítor Seromenho, que pode ser visitada até 10 de janeiro de 2026.
Com esta exposição, o Centro de Artes de Sines volta a dar espaço aos artistas da terra no âmbito das comemorações do Dia do Município.
O que nos procuram mostrar os artistas, segundo o texto da exposição, é que «Fotografar é mais do que reproduzir a realidade. Fotografar é contar uma história, ou muitas histórias. Por vezes, ao fotografar, vamos mais à frente: interpretamos e reinterpretamos o que vemos. A nossa exposição – Sombra, quase luz – é o que quer mostrar.», sublinhando ainda que o título «Sombra, quase luz» pretende capturar a dualidade e a profundidade que se pode encontrar na arte de fotografar.
Referimos ainda acerca da obra de Rui Pereira (Sines, 1976-2025), que faleceu este ano, «há uma ética na sua estética que absorvendo referências várias, as integra depuradas na verdade da sua subtil voz e que nos soltam os sentidos num singular apetite de procurar o que não está explicito... A depuração que alcança está carregada de elaboração. Faz estremecer por dentro, porque desfaz o espanto que bloqueia e liberta a criação no observador.», segundo texto de Isabel Silva.
Veríssimo Dias (Angola, 1955), licenciou e doutorou na ex-URSS. «Por cá, foi professor, é agora projetista e consultor ambiental. A fotografia surge em uníssono e a fazer respirar melhor. É o pulsar da própria vida, aliás…», segundo entrevista de Paula Perfeito. O fotógrafo acrescenta que «toda a minha fotografia, retratos incluídos, incorpora um certo padrão de distância, um útero de lonjura, não no sentido do afastamento, mas da vinda, da partida e, de novo, da vinda.
Vítor Seromenho (Sines, 1976) tem na fotografia a sua grande paixão, desenvolvendo os mais variados estilos e usando diversas técnicas. Em «Retratos com Alma», uma das suas últimas exposições, apresentou-se com o objetivo «que todos os que, de uma forma ou outra, têm acesso ao meu trabalho sejam invadidos por emoções. Não tenho como preocupação mostrar beleza por si só, mas a alma do fotografado. Assim, como se fosse um caçador de almas…».
A Casa da Cerca – Centro de Arte Contemporânea2, em Almada, acolhe na Galeria Principal a exposição «História Armadura» de Jessica Warboys, até 11 de janeiro de 2026.
A artista Jessica Warboys apresenta nesta exposição um conjunto de trabalhos de pintura, cinema, performance e escultura. «A sua prática, de carácter intuitivo e ritualístico, convoca mitos, memórias e os elementos da natureza — vento, água, areia ou pedras — que se tornam cúmplices e narradores do processo criativo. O lugar e a obra confundem-se, numa poética onde tempo e matéria se entrelaçam.», segundo o texto da exposição.

No texto da exposição «História Armadura» apresentam-nos algumas das peças expostas. «No centro da exposição está o filme e trabalho sonoro Antigones Net, «que nasce de um encontro fortuito com a peça Antígona de Jean Anouilh — livro caído numa rua de Paris e encontrada pela artista… A acompanhar o filme, a exposição apresenta River Painting, Fossbekken, realizada no Rio Fossbekken na Noruega. Tais como nas suas pinturas anteriores, feitas em margens costeiras, aqui também o pigmento lançado sobre a tela húmida é arrastado pelo vento, pela corrente, pelas pedras e pela areia, registando tanto a ação dirigida da artista como os gestos imprevisíveis da natureza.
Nesta mesma constelação, a série de desenhos «Iron Egg Chalice Eyes» desenha um cálice-ovo aquoso, figura que atravessa e une pintura e filme. Evocando simultaneamente fertilidade, ritual e metamorfose, estes desenhos são como visões condensadas de um mito em formação: olhos que olham e são olhados, cálices que contêm e derramam, ovos que protegem.»
Na Casa Da Cerca podemos ainda visitar, também até 11 de janeiro, a obra Line Array, de João Pimenta Gomes, na Cisterna, uma instalação sonora que transforma o espaço e propõe novas formas de escuta e na Galeria do Pátio e Sala de Leitura, podemos ainda encontrar a exposição «Meio-dia. A hora do coração», de Catarina Marques Domingues, com livros de artista e desenhos que refletem a relação entre corpo humano e mundo natural.
O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas3 nos Açores, apresenta a exposição «Lourdes Castro: existe luz na sombra», com curadoria de Márcia de Sousa, até 1 fevereiro 2026.
Esta mostra marca um momento significativo por ser a primeira exposição da artista madeirense em território açoriano, simbolizando assim uma ponte artística e cultural entre os dois arquipélagos. Uma oportunidade para recordar Lourdes Castro e revisitar uma obra profundamente enraizada na memória, na sombra e na luz.
Neste projeto curatorial, além de se assumir como uma homenagem póstuma, pretende apresentar documentos, obras e objetos pessoais inéditos ou raramente expostos ao público. Podemos encontrar obras da Fundação de Serralves, do Museu Nacional de Arte Contemporânea, do Museu Nacional do Azulejo, da Fundação Calouste Gulbenkian, da Coleção Culturgest, do MAC-CCB, da Fundação Berardo, da Galeria 111, entre muitas outras.

Sobre a sombra e o contorno, presentes em muitas das suas obras, Lourdes Castro escreveu, em 1963: «A sombra ainda é palpável. O contorno já não é. O contorno surpreendeu-me porque não existia antes de eu o desenhar; é, creio, um novo olhar sobre o que me rodeia. A sombra projetada como contorno interessa-me muito mais do que a sua simples representação.»
Lourdes Castro (Madeira, 1930) formou-se na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, tendo abandonado o curso em 1956. Um ano depois, partiu para a Alemanha e, mais tarde, para Paris, onde fundou, o grupo KWY, juntamente com René Bértolo, e também com António Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada e Gonçalo Duarte, pelo búlgaro Christo e pelo alemão Jan Voss, que se reuniram em torno de uma revista, com o mesmo nome, publicada em Paris entre 1958 e 1964. O seu trabalho destacou-se pela originalidade, evoluindo da abstração para um percurso interdisciplinar, com forte enfoque nas sombras, tema que marcou profundamente a sua obra desde a década de 1960.
A exposição «Lourdes Castro: existe luz na sombra» tem origem na exposição realizada no MUDAS-Museu de Arte Contemporânea da Madeira entre 2022 e 2023, intitulada «Como uma ilha sobre o mar: Lourdes Castro», resultando de uma colaboração entre o MUDAS e o Arquipélago, no contexto de um projeto alargado apoiado pela Direcção-Geral das Artes (DGArtes) através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC), da qual ambas as instituições fazem parte.
A Biblioteca Municipal da Póvoa de Santa Iria4 acolhe a exposição de Pintura «Tejo em Cursos» da autoria de Pedro Ramos, até 19 de dezembro.
Trata-se de uma exposição inspirada nas margens e reflexos do rio Tejo, as obras apresentadas refletem a íntima ligação do artista à paisagem fluvial e à sua carga simbólica, histórica e ambiental. O artista traduz para a tela a tensão entre a beleza natural e a fragilidade dos ecossistemas, desafiando o público a olhar o Tejo com outros olhos – como espelho da terra, testemunha silenciosa da vida e símbolo de esperança.

«As pinturas de Pedro Ramos procuram mostrar a beleza das águas e das margens do rio através da exploração da luz e dos reflexos, jogos subtis de sombras que preenchem afortunadamente os espelhos de água, e são resultado das sinuosidades ondulantes da vegetação circundante. Transmitem uma suspensão do tempo, que nos conduz a contemplação de um Tejo, como o coração da terra, que ainda bate em silêncio, aguardando o momento em que a humanidade despertará para a beleza da natureza e para a urgência de proteger os rios, os pulmões e os rios da nossa casa comum. São imagens suspensas que pretendem sensibilizar para a perpetuação da defesa do rio», segundo o texto da exposição.
Pedro Ramos (1981), natural da Carapinheira (Mafra), Curso de Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa em 2004, tendo sido distinguido com diversos prémios e menções honrosas.
- 1. Centro de Artes de Sines - Rua Cândido dos Reis Sines 7520-752. Horário: segunda a sexta, das 14h às 20h. Sábados, das 12h às 18h.
- 2. Casa da Cerca - R. da Cerca, 2800-050 Almada. Horário: segunda a domingo, das 10h15 às 17h30. Encerra feriados.
- 3. Rua Adolfo Coutinho de Medeiros, s/n, EN1-1A 17 9600-516 Ribeira Grande, Açores. Horário: terça a domingo, das 10h às 18h.
- 4. Biblioteca Municipal da Póvoa de Santa Iria, Palácio da Quinta da Piedade, Av. Dom Vicente Afonso Valente, 2625-215 Póvoa de Santa Iria. Horário: terça a quinta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 18h; sexta-feira, das 10h às 20h; sábado, das 10h às 13h e das 14h às 17h30.
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