No soar de um estrondoso tiro numa cidade rural, mãe e filha vêem-se sem saber o que fazer com um cadáver. Atraves de várias camadas de humor negro, Angus Cerini escreve sobre violência doméstica e abuso sexual perpetrados por anos, e desvela assim a sociedade em que vivemos, que ignora as vítimas «até que o pior dos desfechos possíveis aconteça». Onde, mesmo em um cenário nada naturalista, é possível ver a tão naturalizada condenscendência com a crueldade que nos está próxima.
O dramaturgo australiano tem uma linguagem que «é ao mesmo tempo rude e rítmica», descreve o Teatro da Rainha que traz A árvore que sangra pela primeira vez em Portugal. O texto de Cerini foi traduzido por Isabel Lopes, tem encenação de Fernando Mora Ramos e interpretação de Isabel Lopes, Mafalda Taveira e Marta Taveira.
Além do espectáculo, em cena no Pequeno Auditório do Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha até dia 27 de Março, a companhia Teatro da Rainha também publica, em parceria com a editora Companhia da Ilhas, o livro homónimo à peça, de autoria de Cerini e também com tradução de Isabel Lopes. Datas e horários dos espectáculos podem ser consultados no site da companhia.
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