|Transportes fluviais

A ver (não) passar navios

A falta de recursos humanos operacionais motiva a interrupção das carreiras entre Cacilhas (Almada) e Cais do Sodré (Lisboa), no período nocturno, entre 20 e 21 de Outubro.

Os trabalhadores da Transtejo queixam-se dos navios serem insuficientes e de terem os seus certificados de navegabilidade caducados
Os trabalhadores da Transtejo queixam-se dos navios serem insuficientes e de terem os seus certificados de navegabilidade caducadosCréditosRodrigo Baptista / Agência LUSA

A situação não é nova, já várias vezes têm ocorrido falhas nas carreiras fluviais regulares no Tejo, incluindo dezenas de interrupções. Um único motivo: a não admissão de trabalhadores por parte da Transtejo/Soflusa. E sem trabalhadores não há travessias, nem prestação de um serviço público aos utentes, seguro e de qualidade.

Assim, os passageiros que pretendam atravessar o rio Tejo, entres estas localidades, terão de o fazer até às 20h55 na quarta, ou até às 22h38, na quinta (no sentido Cacilhas-Cais do Sodré. A última partida do Cais do Sodré está prevista para as 21h15, na quarta, e nas 20h50, na quinta). A situação regular repõe-se na sexta, com navios operacionais depois da meia noite.  

Há muito que a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) vinha alertando para um desinvestimento do Estado e para a já estrutural e insustentável falta de contratações por parte da empresa. Desta feita, os resultados da carência de trabalhadores e da política de não admissões estão à vista, com grande prejuízo para os utentes, nomeadamente trabalhadores por turnos que necessitam dessas carreiras para regressar a casa do trabalho.

A federação de sindicatos manifesta toda a sua solidariedade para com os utentes lesados e alerta para  o facto de não se tratar de greve ou qualquer conflito laboral, apenas o óbvio: «o governo continua a ignorar que os navios não funcionam sem trabalhadores».

Para desbloquear a situação e zelar pela prestação de um serviço digno, os trabalhadores equacionam recorrer a greves parciais, não tendo ainda definido uma data concreta para esta paralisação. 

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