A Varandas de Sousa, empresa agro-alimentar de produção de cogumelos em Trás-os-Montes, acaba de juntar uma nova página ao seu já extenso currículo de denúncias de abusos e «prepotência» contra os seus trabalhadores. Ao longo dos últimos anos, em sucessivas paralisações, foram utilizados trabalhadores externos para substituir grevistas – uma contra-ordenação muito grave (artigo 535.º do Código do Trabalho).
O mais recente caso deu-se num «plenário amplamente participado e com uma sala cheia, reflexo do trabalho empenhado das novas delegadas sindicais» na unidade de produção de Benlhevai, no concelho de Vila Flor, refere comunicado do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN) a que o AbrilAbril teve acesso.
Metade dos trabalhadores que participavam nesta acção sindical eram imigrantes. Mas, segundo a nota de imprensa, dois chefes da empresa terão irrompido pela sala durante o plenário: «um deles dirigiu-se directamente aos trabalhadores imigrantes, assobiando e fazendo um gesto autoritário com a cabeça, ordenando a sua saída imediata», acção que o SINTAB considera «absolutamente inaceitável». Acrescenta que as ameaças, o «medo e [a] intimidação» levaram vários trabalhadores «a abandonar o plenário e regressar aos seus postos de trabalho, receando represálias».
O sindicato realça que a Varandas de Sousa é parcialmente detida pela SUGAL, «grupo económico que esteve associado às explorações agrícolas no Alentejo onde foram denunciadas situações de utilização de mão-de-obra em condições próximas da escravatura, com a conivência de forças de autoridade». Esta ligação, assume, evidencia um «padrão de práticas» predadoras contra trabalhadores imigrantes, em situação mais precária e vulnerável, o que torna a situação «ainda mais preocupante».
Por «opção» da empresa, os trabalhadores imigrantes desta fábrica «estão sujeitos a um contrato colectivo de trabalho assinado com a UGT, que consagra condições mais precárias, nomeadamente através da desregulação de horários e da desvalorização do pagamento do trabalho suplementar, criando uma situação de exploração acrescida e institucionalizada». Isto tudo numa instituição que, critica o SINTAB, se arroga um exemplo de multiculturalidade.
O sindicato esclarece que vai tomar «todas as medidas necessárias, incluindo legais, para responsabilizar a empresa por estas práticas», reafirmando que a luta sindical é una: «portugueses e imigrantes, lado a lado, pelos mesmos direitos, pela dignidade no trabalho e pelo fim da exploração».
O AbrilAbril tentou contactar a Varandas de Sousa ao longo de toda esta terça-feira, não tendo recebido qualquer resposta da administração da empresa.
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
