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Trabalhadores não podem ser «arma de arremesso» da Altice

Os trabalhadores e suas estruturas representativas da Meo vão concentrar-se, esta sexta-feira, junto à sede da Altice Portugal, em Lisboa, contra o despedimento colectivo de cerca de 300 pessoas.

A final da Eurovisão realiza-se no dia 12 de Maio, na Altice Arena (antigo Pavilhão Atlântico), em Lisboa
Créditos / escportugal.pt

Na terça-feira, a Altice Portugal confirmou que vai dar início, «nas próximas semanas», a um processo de rescisões de contratos de trabalho através de despedimento colectivo, no âmbito do Plano Integrado de Reorganização, que abrange cerca de 300 pessoas.

Numa nota enviada às redacções, os sindicatos da Frente Sindical e a comissão de trabalhadores (CT) da Meo adiantam que vão realizar uma concentração de activistas sindicais na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, esta sexta-feira, «como forma de protesto pela decisão da Comex [Comissão Executiva] da Altice Portugal da tentativa de um despedimento colectivo».

Esta acção, adianta, «pretende divulgar as formas de luta que vão ser travadas pelos trabalhadores e seus representantes no mês de Julho e que visam travar o despedimento colectivo anunciado».

Também em comunicado, a comissão de trabalhadores da Meo apontou que os trabalhadores «não podem ser "armas de arremesso" da gestão». «Todos estamos recordados que a Altice foi multada pela Comissão Europeia por assumir o controlo da PT Portugal sem autorização dos reguladores» e que «o valor da multa é de 125 milhões de euros (a empresa recorreu e aguarda decisão)», bem como que a Autoridade da Concorrência (AdC) multou a Meo em 84 milhões de euros por combinação de preços e repartição de mercados nos serviços de comunicações móveis e fixas com a Nowo (a empresa recorreu da decisão para o Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão e aguarda decisão)», refere a CT.

Agora, o que não aceitam é que «erros ou inabilidades sejam pagos pelos trabalhadores e que estes possam ser usados como "arma de arremesso" contra reguladores e Governo devido a Altice afirmar que há um contexto adverso no sector das comunicações electrónicas», critica.

A CT da Meo lamentou que a decisão de despedimento tenha sido apresentada na terça-feira como «um facto consumado», adiantando que apesar da Altice Portugal ter dito que poderá abranger cerca de 300 pessoas, não informaram o número certo de trabalhadores afectados, «nem quais as empresas envolvidas».

«Armando Pereira, em 2015, quando a Altice comprou a PT Portugal, garantiu que não haveria despedimento na empresa e agora seis anos depois somos confrontados com este "pesadelo"», aponta a CT, acrescentando que já foi pedida «uma reunião com carácter de urgência» ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, «para pedir a intervenção da tutela contra a destruição de emprego com direitos na Altice Portugal».


Com agência Lusa

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