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Conferência da Esquerda enfatiza direito do povo saarauí à autodeterminação

A Conferência da Esquerda, que reuniu em Joanesburgo partidos de esquerda, organizações socialistas e movimentos progressistas, declarou o apoio à luta do povo saarauí pela liberdade e a independência.

África do Sul esquerda conferência encontro Saara Ocidental
Créditos Vijay Prashad / substackcdn.com

Esta posição – a sublinhar o direito inalienável à autodeterminação e a condenar o neocolonialismo – foi expressa na declaração final de um encontro organizado pelo Partido Comunista Sul-Africano e que reuniu múltiplas organizações progressistas, sindicais, sociais, de solidariedade sul-africanas, na sua maioria, mas também de vários pontos do continente e do mundo, entre 29 a 31 e Maio último.

Os participantes na conferência, que decorreu sob o lema «Construindo um Movimento de Esquerda para a Classe Trabalhadora e o Poder Popular», expressaram a sua solidariedade aos povos oprimidos do mundo, nomeadamente ao povo saarauí, reafirmando o seu apoio ao direito dos povos à soberania, autodeterminação, dignidade, libertação e desenvolvimento pacífico, indica a agência Sahara Press Service (SPS).

Num dos pontos da declaração final, dedicado ao «Internacionalismo, pan-africanismo, paz e solidariedade anti-imperialista», a conferência frisa o apoio à «libertação e autodeterminação do povo do Saara Ocidental», expressando ainda solidariedade aos povos do Sahel na sua luta «contra a dominação neocolonial, o controlo militar estrangeiro, a extracção de recursos, a desestabilização e a dependência».

Este posicionamento dos participantes no encontro enquadra-se num plano mais vasto de compromisso com os princípios do internacionalismo progressista, de defesa da unidade africana e oposição ao imperialismo e ao neocolonialismo.

Luta pela paz é indissociável da resistência ao imperialismo

Os participantes na Conferência da Esquerda sublinharam que as lutas dos povos pela liberdade e a soberania fazem parte de uma luta a nível mundial contra o capitalismo, o racismo, o patriarcado, a guerra, a ocupação, as sanções e a dominação económica.

Declarando a sua oposição à guerra, ao militarismo e às agressões imperialistas, os participantes no encontro na África do Sul sublinharam que a luta por uma paz genuína é indissociável da resistência ao imperialismo, à ocupação e à pilhagem de recursos, bem como da luta contra a imposição da dependência e da dominação a nações mais fracas por parte de estados poderosos.

Neste contexto, a declaração destaca que um dos principais desafios que se colocam a África é o de se libertar das armadilhas dos sistemas de dependência criados e reproduzidos pelo imperialismo, e, em simultâneo, aprofundar a integração no seio do continente e do Sul Global sem reproduzir esquemas neocoloniais com novas designações.

No entender dos participantes, a integração económica africana deve basear-se na industrialização, na soberania, no controlo público sobre os recursos económicos, na cooperação entre trabalhadores, camponeses, mulheres e jovens.

Apoio a Palestina, Cuba, Venezuela e Irão

Além da solidariedade expressa aos povos do Saara Ocidental e do Sahel, o documento final da conferência declara-a igualmente aos povos da Palestina, Cuba, Venezuela e Irão.

Apelando à intensificação da solidariedade com o povo palestiniano e expressando o apoio ao processo da África do Sul junto do Tribunal Internacional de Justiça contra Israel, ao abrigo da Convenção sobre o Genocídio, os participantes expressam a «solidariedade inabalável» com Cuba, rejeitando quaisquer ameaças de guerra, a desestabilização e a utilização de sanções unilaterais contra o país caribenho e outras nações soberanas como «instrumentos para provocar dificuldades, enfraquecer a soberania e impor mudanças de regime».

Neste sentido, afirmam o direito do povo cubano a determinar o seu próprio futuro, livre da interferência imperialista, e expressam do mesmo modo a solidariedade ao povo do Irão contra «a agressão imperialista, as sanções unilaterais, as ameaças militares, as operações de mudança de regime e as violações da soberania nacional».

No mesmo âmbito internacionalista e anti-imperialista, a conferência declarou ainda o apoio ao processo de desdolarização, ao reforço da cooperação no seio do Sul Global, bem como aos caminhos de desenvolvimento soberano e de controlo público sobre os recursos estratégicos.

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