Portugal foi eleito esta quarta-feira membro não-permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), liderando a votação do grupo Europa Ocidental e Outros Estados, com 134 votos, a par da Áustria, derrotando assim a Alemanha. A votação decorreu durante a 80.ª Assembleia-Geral, composta por 193 membros, na sede da ONU em Nova Iorque, e o nosso país ficou acima dos 127 votos necessários para a eleição (dois terços dos votantes).
O anúncio foi celebrado logo no local pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que no mês de Abril admitiu que a utilização da açoriana Base das Lajes, pelos EUA, a propósito do ataque ilegal que lançaram com Israel contra o Irão, «cumpre os critérios do Direito Internacional». Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu a vitória como uma «ocasião histórica», realçando que «dignifica Portugal» e projecta o país no mundo.
Na óptica de Montenegro, a eleição de Portugal é um sinal de reconhecimento do papel do nosso País enquanto «instrumento de resolução de conflitos e de aproximação de povos». Palavras que não encontram eco naquilo que tem sido a actuação do Governo que lidera. Sem nunca condenar, o executivo do PSD e do CDS-PP reagiu à agressão militar à Venezuela e ao sequestro do seu Presidente pelos EUA, no início deste ano, como tendo «intenções benignas».
O primeiro-ministro defendeu, inclusivamente, que a administração de Donald Trump estava a promover uma «transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela com a maior brevidade possível. Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse querer contribuir para uma célere «transição democrática» no país cobiçado pelo petróleo, apontando Edmundo González como parte da «solução».
Numa altura em que os EUA tentam derrubar Cuba pela fome graças ao recrudescimento do criminoso embargo, não há também, por parte do nosso Governo, uma postura de condenação, faltando assim dar substância ao «papel» de que Montenegro voltou a falar, esta sexta-feira. O primeiro-ministro insistiu que a eleição é reconhecimento do País enquanto «promotor da resolução de conflitos, da promoção da dignidade das pessoas e do desenvolvimento económico».
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