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Trabalhadores dos call centers querem vínculo com as empresas onde trabalham

Os trabalhadores dos centros de atendimento telefónico aderiram hoje, expressivamente, à greve por melhores salários e a integração nos quadros das empresas, e manifestaram-se em várias cidades do País.

Créditos / Fectrans

O coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN), José Manuel Oliveira, disse à Lusa, de manhã, que a paralisação deveria ter «uma adesão significativa, tendo em conta a mobilização mostrada pelos trabalhadores».

De facto, é o que mostram os dados conhecidos, divulgados pelo sector: a adesão foi de 80% na NOS e de 50% na MEO da Avenida Afonso Costa, ambas em Lisboa. Na zona de Castelo Branco a adesão chegou aos 75%. Já no Porto, registaram-se valores globais de adesão de 90%, na Madeira de 95%, e na Guarda, Viseu e Lamego de 60%.

Segundo o sindicalista, estes trabalhadores protestam porque auferem salários muito baixos, não têm condições de trabalho e têm vínculos precários. «Por isso, avançaram para a luta, porque reivindicam a integração nos quadros das empresas para as quais prestam serviços, nomeadamente a MEO, NOS, Vodafone, EDP, Segurança Social e outras», disse.

Se os trabalhadores dos call-centers das empresas de telecomunicações fossem integrados nos quadros das empresas onde prestam serviço passariam a ser abrangidos pela contratação colectiva. «Isto faria com que tivessem direitos e melhores condições de trabalho», considerou o dirigente sindical.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav/CGTP-IN) esclareceu, num comunicado anterior à greve, que as principais reivindicações foram aprovadas ao longo de 56 reuniões plenárias realizadas, além deste, pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) e pelo Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI/CGTP-IN), a nível nacional, desde o passado dia 17 de Setembro. No conjunto, «mais de dois milhares de trabalhadores» com vínculo a várias empresas outsourcing, em serviço para a MEO, NOS e Vodafone, entre outras, denunciaram a exploração de que são alvo.

Os trabalhadores em greve concentraram-se no Funchal, em Beja, Castelo Branco, Lisboa e Porto para chamar a atenção para as suas reivindicações.

A manifestação de Lisboa contou com a presença do secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, e realizou-se frente ao edifício da NOS, no Campo Grande.

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