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Em luta contra a precariedade

Amanhã há protesto nacional dos trabalhadores dos call centers

Os trabalhadores dos call centers, backoffice e lojas das operadoras de telecomunicações convocaram greve de 24 horas para o dia 30 de Junho, com uma concentração na sede da PT-MEO em Lisboa. Lutam contra a precariedade e por aumentos salariais.

Randstad é uma das principais empresas «prestadora de serviços» onde a precariedade é norma
Randstad é uma das principais empresas «prestadora de serviços» onde a precariedade é norma CréditosHugo Delgado / Agência LUSA

A greve é uma acção nacional destes trabalhadores, que irão concentrar-se às 14h30 em Lisboa, frente ao edifício da PT-MEO, em Picoas. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (Sinttav) afirma num comunicado que «a empresa PT-MEO é considerada pelos trabalhadores como a empresa que mais recorre à prestação de serviços por subcontratados», sendo por isso o local escolhido para o protesto.

«A cada posto de trabalho tem que corresponder um vínculo de trabalho efectivo, nas empresas para as quais prestam efectivamente serviço – seja na PT-MEO ou noutros operadores de comunicações e telecomunicações», afirma o comunicado do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT).

O Sinttav estima que no sector das telecomunicações existam «cerca de 500 mil trabalhadores com vínculos precários – trabalhadores que andam de contrato em contrato sem qualquer estabilidade e com a incerteza sempre que se aproxima o fim do contrato, sem saber se continuam ou não». Aponta ainda os baixos salários, «uma enorme rotatividade de trabalhadores» e uma desregulamentação do horário de trabalho, «que impede os trabalhadores de articular a sua vida profissional com a vida pessoal e familiar».

O exemplo dos trabalhadores da Manpower

O Sinttav informa que nesta empresa são «insistentes» as queixas sobre «falta de respeito e más condições de trabalho», assim como a pressão, o desgaste e «os horários que não se coadunam com o necessário repouso».

Os salários são balizados no salário mínimo nacional (SMN), ao qual se junta uma «parcela variável», os prémios, «cujo valor depende de objectivos impostos unilateralmente», sujeitos a alterações.

Os trabalhadores com vínculo precário, supostamente a suprir necessidades temporárias, afinal estão «há oito, dez e mais anos no mesmo posto de trabalho». O sindicato afirma que centenas de trabalhadores da Manpower são disto exemplo: há anos que são a imagem da PT no atendimento à população, utilizam as ferramentas de trabalho da PT, partilham das mesmas instalações que os quadros efectivos da PT e são avaliados pelo controlo de qualidade da PT.

A estrutura sindical acusa ainda a Manpower de se recusar a aumentar salários «com a desculpa de que o valor do contrato celebrado com a PT-MEO é muito baixo», enquanto é público que o seu volume de vendas é superior a 114 milhões de euros. A proposta sindical é de um aumento salarial de 600 euros para os trabalhadores que auferem o SMN e um acréscimo de 40 euros para os restantes.

Os trabalhadores da Manpower em serviço na PT-MEO estão em luta desde o dia 22 de Novembro de 2016, e até ao momento já realizaram quatro plenários e duas greves, uma de 3h e outra de 24 horas.

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