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Trabalhadores do frio estão fartos de salários congelados

Sem qualquer actualização desde 2003, os trabalhadores da Monliz, empresa produtora de congelados, em Alpiarça, partem para a greve, 10 de Agosto, pela negociação do Contrato Colectivo de Trabalho no sector.

Plenário de trabalhadores da Monliz, em Alpiarça. Nesta reunião, os cerca de 100 trabalhadores sindicalizados no STIAC elegeram um delegado sindical e aprovaram o seu caderno reivindicativo 
Plenário de trabalhadores da Monliz, em Alpiarça. Nesta reunião, os cerca de 100 trabalhadores sindicalizados no STIAC elegeram um delegado sindical e aprovaram o seu caderno reivindicativo Créditos / STIAC

O plenário realizado na Monliz, no dia 23 de Julho, não deixou margem para dúvidas. Os trabalhadores desta unidade industrial, sediada em Alpiarça, exigem o «cumprimento dos horários de laboração contínua: nomeadamente os dois dias de folga consecutivas e um fim de semana por mês», releva o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar (STIAC/CGTP-IN).

Em causa está também o cumprimento e negociação do Contrato Colectivo de Trabalho (CCT) para a indústria do frio, negociado entre a ALIF (Associação da Indústria Alimentar pelo Frio) e a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht/CGTP-IN). O CCT não é alvo de negociações há quase 20 anos, desde 2003.

«Descontentes com a não negociação do caderno reivindicativo proposto, a ausência de retorno aos problemas colocados na última reunião, realizada em 24 de Maio», e o facto da empresa Monliz continuar a «fomentar formas de discriminação» entre os trabalhadores, a greve era inevitável.

Os cerca de 100 trabalhadores sindicalizados no STIAC, sindicato não subscritor do acordo, foram «excluídos do aumento salarial e, no seu entendimento, sujeitos a uma discriminação por filiação sindical, o que configura uma violação de vários princípios elementares presentes na Constituição da República Portuguesa e concretizados no Código do Trabalho».

Durante as 24h do dia 10 de Agosto, os trabalhadores da Monliz vão exigir o fim da precariedade na empresa, os 25 dias de férias anuais, aumentos nos subsídios de alimentação e de turno, o fim dos horários desregulados e o direito a desfrutar de dois dias de descanso consecutivos, entre muitas outas reivindicações.

O dia da greve será assinalado com uma concentração de protesto e denúncia agendada entre as 9h30 e as 12h, à porta desta unidade industrial. A acção contará com a presença da Ana Pires, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN.

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