Prometem continuar a luta até receberem os salários

Trabalhadores da Soares da Costa nas ruas do Porto

Os trabalhadores da Soares da Costa voltaram à rua, desta vez no Porto, reivindicando o pagamento dos salários em atraso de vários meses. Voltam a concentrar-se no dia 20 de Julho.

Trabalhadores da Soares da Costa manifestaram-se na Avenida dos Aliados, no Porto
Trabalhadores da Soares da Costa manifestaram-se na Avenida dos Aliados, no PortoCréditosJosé Martins

Os trabalhadores da construtora Soares da Costa voltaram hoje a estar em greve e a realizar uma manifestação com cerca de 100 participantes na Avenida dos Aliados no Porto, continuando a reivindicar os salários em atraso.

«Decidimos vir hoje para a frente da obra que a Soares da Costa tem em curso para dar visibilidade pública da luta pelos ordenados em atraso, que em Portugal vai de três a cinco meses e em Angola vai até oito meses. É dramático, porque o desespero já começa a tomar conta de nós, porque não vemos qualquer tipo de resposta», explicou José Martins, da Comissão de Trabalhadores da Soares da Costa, à agência Lusa.

José Martins afirma que há trabalhadores que já meteram baixa psiquiátrica e outros que meteram baixa médica por nem sequer terem dinheiro para ir trabalhar.

«Estamos a falar de muitos dramas pessoais de muitas famílias», avisou o trabalhador, recordando que recentemente houve um caso de um trabalhador que sofreu um AVC em pleno horário laboral e que ainda está em reabilitação física.

Elsa Sá, trabalhadora na Soares da Costa há 32 anos, contou à agência Lusa que a falta do pagamento do salário na totalidade estava em falta desde Março e que estava a viver «muito mal, sem dinheiro para pagar as contas, a comida, o condomínio».

«Eu não sei para que lado me hei-de virar, estou a ficar desesperada, porque vou pedir dinheiro emprestado e vou dizer que pago quando?», revelou Elsa Sá, recordando que uma colega viu esta semana ser-lhe cortada a electricidade de casa por falta de pagamento.

Os trabalhadores Soares da Costa manifestaram-se em Lisboa na passada terça-feira, e reuniram com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e com a administração na sede da empresa na capital. No entanto, não obtiveram respostas que considerassem satisfatórias e que permitissem a resolução imediata do pagamento dos salários.

José Martins revela ao AbrilAbril que os trabalhadores estão dispostos a continuar as acções de luta e que marcaram um plenário/concentração para dia 20 de Julho, às 8h, na sede da empresa em Vila Nova de Gaia.