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Trabalhadores da EDP protestam contra «aumento zero»

A acção pretende denunciar a recusa da EDP em conceder aumentos salariais, apesar de ser uma empresa com milhões de euros de lucros e que distribui avultados dividendos.

CréditosEstela Silva / Lusa

O protesto aconteceu durante a manhã desta segunda-feira em simultâneo em Lisboa, Porto e Coimbra. Os trabalhadores da EDP mobilizaram-se para dar uma resposta pública e demonstrar o seu descontentamento com a atitude que a administração tem tomado nas negociações salariais para 2021.

«Enquanto os lucros EDP crescem, os trabalhadores empobrecem. Exigimos salários justos», lia-se numa das faixas levantadas esta manhã pelos funcionários que participavam na concentração em frente das instalações da EDP, exigindo «ser ouvidos» e, acima de tudo, «respeitados e valorizados».

Em declarações à RTP, Miguel Ângelo, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte (SITE Norte/CGTP-IN), afirmou que a proposta da administração podia ser uma «brincadeira», uma vez que uma empresa como a EDP, que regista 810 milhões de euros de lucros no grupo e distribui dividendos de 775 milhões, não pode chegar a uma mesa negocial e recusar aumentos salariais.

«Estamos aqui a pedir um donativo àqueles que passam», ironizou o dirigente. «A EDP precisa de uma ajuda para dar aumentos aos seus trabalhadores.» Lembrando que estes deram «o seu máximo» apesar da crise sanitária e de muitos estarem em teletrabalho, com as dificuldades que adiveram de conjugar a vida pessoal com a profissional, Miguel Ângelo considera «inadmissível» que seja esta a resposta a dar aos trabalhadores.

O dirigente lembra ainda que a mesma empresa vai oferecer 800 mil euros por ano, durante três anos, ao ex-administrador António Mexia para este não assinar pela concorrência. «É uma grande contradição, dizer que não tem nada para dar aos seus trabalhadores.»

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