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Só nacionalização pode garantir viabilidade da Groundforce

A comissão de trabalhadores garante que tudo fará para defender os postos de trabalho, após a TAP ter apresentado o pedido de insolvência da empresa. O PCP insiste na nacionalização e chama ministro ao Parlamento.

Trabalhadores da Groundforce manifestaram-se em frente à Assembleia da República, em Lisboa, a 8 de Março de 2021, para exigirem o salário em atraso, no mesmo dia em que se soube que o accionista maioritário da empresa tinha as acções penhoradas noutro negócio
Trabalhadores da Groundforce manifestaram-se em frente à Assembleia da República, em Lisboa, a 8 de Março de 2021, para exigirem o salário em atraso, no mesmo dia em que se soube que o accionista maioritário da empresa tinha as acções penhoradas noutro negócioCréditosANDRÉ KOSTERS / LUSA

«Neste momento de incerteza, apelamos a todos os trabalhadores que mantenham a serenidade, com a convicção de que tudo faremos para que a nossa empresa e todos os postos de trabalho sejam defendidos», vincou a comissão de trabalhadores da Groundforce, num comunicado divulgado após o final da reunião com o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

A TAP requereu esta segunda-feira, na «qualidade de credora», a insolvência da SPdH/Groundforce «junto dos Juízos de Comércio de Lisboa do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa», disse a companhia, em comunicado.

A transportadora justificou que o objectivo da acção passa por, «se tal for viável», salvaguardar «a viabilidade e a sustentabilidade da mesma, assegurando a sua actividade operacional nos aeroportos portugueses».

Apesar de, na reunião com os trabalhadores, Pedro Nuno Santos ter garantido que o Governo pretende «manter a empresa e todos os postos de trabalho», fica por esclarecer por que razão não avança o Estado para a nacionalização desta empresa.

Insolvência pressiona e ameaça direitos dos trabalhadores

A decisão de partir para um processo de insolvência aumenta a precariedade da vida dos 2400 trabalhadores da Groundforce e desestabiliza a TAP num momento crítico para a recuperação económica da empresa, em que o sector da aviação civil começa a sair da mais grave crise de sempre à escala mundial.

Tendo finalmente reconhecido ser necessário retomar, ainda que temporariamente, o controlo público sobre a SPDH/Groundforce, o Governo não explica por que razão opta por um moroso processo de insolvência que culminará, segundo afirmou o ministro Pedro Nuno Santos, com a TAP a assumir a maioria do capital, em vez de avançar com uma nacionalização imediata da empresa colocando-a ao serviço dos interesses nacionais.

Pelo contrário, ao tomar esta opção, o Governo abre caminho à criação das condições necessárias para impor uma redução do preço da força de trabalho no sector da assistência em escala, lançando mais à frente um novo processo de privatização, o terceiro, no caso da SPDH/Groundforce.

A Groundforce é detida em 50,1% pela Pasogal e em 49,9% pelo grupo TAP, que, em 2020, passou a ser detido em 72,5% pelo Estado português e que é accionista minoritário e principal cliente da empresa que presta assistência nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo.

Reiterando que a nacionalização é a única opção para salvaguardar a empresa e os trabalhadores, o grupo parlamentar do PCP chamou o ministro das Infraestruturas ao Parlamento.

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