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Groundforce: salários em atraso são estratégia de intimidação

A empresa, que foi separada da TAP e posteriormente privatizada a 50,1%, informou os trabalhadores por e-mail que não iria pagar os salários de Fevereiro.

Os trabalhadores da SPdH/Groundforce, após anos, conseguiram que fosse retomada a negociação da contratação colectiva
Créditos / Agência LUSA

Como as várias empresas do sector da aviação, também a SPdH/Groundforce atravessa uma difícil situação financeira, fruto da aplicação de medidas de contenção da pandemia de Covid-19. Agora, estão em atraso os salários de Fevereiro de 2398 trabalhadores.

Depois de rejeitada, em Março de 2020, uma iniciativa legislativa, proposta pelo PCP, que sinalizava a necessidade da aplicação de medidas que salvaguardassem a solvência da empresa durante o período de restrição à circulação aérea, e de não terem sido considerados apoios no quadro dos planos de contingência públicos para o sector, a empresa espera a concretização de um empréstimo bancário para resolver as dificuldades de tesouraria.

Desde o início da actual crise, a SPdH/Groundforce já procedeu ao despedimento de perto de mil trabalhadores por via da não renovação de contratos a funcionários com vínculos precários e a prestadores de serviços.

Retirar direitos à boleia da pandenia

Por sua vez, o Governo decidiu não adoptar um plano de contigência para o sector, e avançou com um plano de reestruturação da TAP no qual se propõe reduzir a participação da TAP na SPdH, assumiu pretender negociar uma redução de custos com a Assistência em Escala superior a 28% a partir de 2023 e até admitiu vir a utilizar outro operador para este serviço.

Como aquele que está em curso na TAP, pode antever-se um processo de pressão e chantagem sobre os trabalhadores, os seus salários e empregos, como instrumento para, aproveitando a pandemia, serem impostas medidas há muito planeadas de concentração do sector.

Em comunicado, a comissão de trabalhadores (CT) anunciou um protesto para esta quarta-feira, 3 de Março, a partir das 11h30, junto ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, onde os trabalhadores exigirão o pagamento dos salários e a manutenção dos postos de trabalho.

«Não podemos aceitar que os trabalhadores sejam apanhados nas negociatas entre os seus accionistas e exigimos que cada um deles assuma as suas responsabilidades», pode ler-se no comunicado da CT.

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