A 28 de Janeiro, a MEO activou «de imediato» o seu plano de contingência, «com mais de 1 500 técnicos no terreno, mobilizados de forma contínua, muitas vezes em condições extremamente exigentes», explicou Ana Figueiredo, presidente da MEO. Em resposta às declarações do Presidente da República (que acusou as empresas de telecomunicações de se terem «portado mal»), Figueiredo esclareceu ainda que foi, logo no primeiro momento, accionada uma «sala de crise, em funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana, garantindo coordenação permanente de todos os meios técnicos e operacionais».
A presidente da MEO chamou para si a responsabilidade de «defender o profissionalismo irrepreensível, a dedicação e o esforço incansável de todas as equipas que têm trabalhado de forma ininterrupta, em todas as frentes, para garantir um serviço essencial ao país». E não foi só a MEO – todo o sector das comunicações «respondeu, como sempre respondeu, com sentido de missão, responsabilidade e entrega total».
Contudo, este reconhecimento valeu de muito pouco aos trabalhadores desta empresa, que no primeiro semestre de 2025 alcançou receitas de 1 392 milhões de euros. Várias reuniões entre a administração e os sindicatos culminaram, a 29 de Janeiro, na apresentação de uma proposta final por parte da MEO: «2,5% de aumento para todos os trabalhadores e subsídio de refeição de 10,46 euros», a aplicar apenas a 1 de Julho de 2026.
Ana Figueiredo e a sua administração alegaram «limitações orçamentais e “timing financeiro”» para privar os seus trabalhadores (de um «profissionalismo», «dedicação e esforço incansáveis», como os descreveu a presidente da MEO) de um aumento salarial. A empresa, roubando paternalisticamente aos trabalhadores o seu poder de decisão, prefere «sacrificar seis meses de aumentos num ano para garantir um aumento maior no futuro».
Em comunicado conjunto, sete sindicatos da MEO relembram que, em 2025, a empresa já não tinha aplicado qualquer aumento salarial. As estruturas representativas dos trabalhadores mostram-se irredutíveis na sua propsota de aumentos transversais de 3,5%, com um mínimo de 56 euros e a consagração de um valor mínimo da tabela salarial de mil euros.
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