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Saint-Gobain Sekurit: Governo deve agir para travar despedimento colectivo

Numa reunião, esta segunda-feira, os representantes dos trabalhadores da única fábrica de vidro automóvel no País insistiram na necessidade de o Governo travar o despedimento dos 130 funcionários. 

Os trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit fizeram esta manhã um corte simbólico da estrada nacional 10, junto à empresa, chamando a atenção para a sua luta em defesa da manutenção da fábrica e dos postos de trabalho, durante uma visita de solidariedade do secretário-geral do PCP e de Bernardino Soares, presidente da Câmara Municipal de Loures. Loures, 7 de Setembro de 2021
CréditosAntónio Pedro Santos / Agência Lusa

«Compreenderam os motivos dos trabalhadores, mas isso não basta, precisamos de soluções. O Governo ficou de ver alternativas de emprego credíveis e viáveis para estes trabalhadores, mas não assumiu nenhum compromisso», disse à agência Lusa Fátima Messias, coordenadora da Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro (Feviccom/CGTP-IN).

Os representantes dos trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit reuniram-se esta segunda-feira, no Ministério do Trabalho, com os secretários de Estado do Emprego e Adjunto do ministro da Economia para debater esta situação.

«Tentámos que o Governo tomasse medidas antes de a empresa formalizar o despedimento colectivo, mas não nos parece que isso vá acontecer», disse Fátima Messias após a reunião.

Enquanto decorreu o encontro no Ministério do Trabalho, os trabalhadores da Saint-Gobain estiveram concentrados junto ao edifício para protestar mais uma vez contra o encerramento da fábrica e o despedimento colectivo.

Durante a tarde reuniram-se em plenário, nas instalações da fábrica, para analisar o resultado das diligências feitas e definir a posição para a reunião com a empresa, esta terça-feira.

Depois de concentrações junto aos ministérios do Trabalho e da Economia, estes trabalhadores manifestaram-se no sábado junto à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, para exigir a sua intervenção, tendo em conta o «crime social e económico» que o seu encerramento representa para o País. O processo negocial no âmbito do despedimento colectivo na Saint-Gobain Sekurit Portugal deverá ser encerrado hoje

Depois da última reunião para debater o despedimento colectivo, na passada sexta-feira, os trabalhadores consideraram que a empresa apenas tinha apresentado «perspectivas e não soluções», tendo reiterando a «irreversibilidade» da decisão de encerramento da actividade produtiva em Santa Iria da Azóia, no concelho de Loures.

Em Portugal, o grupo Saint-Gobain emprega cerca de 800 trabalhadores distribuídos por 11 empresas e oito fábricas e totaliza um volume de facturação correspondente a 180 milhões de euros. Antes da privatização, pela mão de Cavaco Silva, chegou a empregar mais de 1200 trabalhadores. 

A decisão de encerramento da actividade produtiva da empresa e o consequente despedimento colectivo dos 130 trabalhadores foi anunciada no dia 24 de Agosto e desde então os trabalhadores têm-se concentrado diariamente junto à fábrica.

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