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Quem trabalha sabe que «não é para dar liberdade aos jovens que este pacote existe»

Os jovens trabalhadores foram novamente às ruas de Lisboa recusar o moribundo pacote laboral do Governo, pois sabem que a precariedade tantas vezes chamada de flexibilidade é um atraso nas suas vidas.

CréditosManuel de Almeida / Agência Lusa

Hoje, dia 28 de Março, quando se celebra o Dia Nacional da Juventude, os jovens trabalhadores não ficaram em casa a assistir ao ataque de direitos que o Governo PSD/CDS-PP tenta impor com o pacote laboral. Quando poderiam aproveitar o seu precioso tempo de descanso num sábado ensolarado, os jovens desfilaram da Praça da Figueira até ao Campo das Cebolas em Lisboa.

«Chamam-lhe flexibilidade. Nós chamamos-lhe precariedade. Chamam-lhe modernização. Nós chamamos-lhe retrocesso. Chamam-lhe futuro. Nós vemos que é um passado mal disfarçado. E é exactamente por isso que hoje estamos aqui, unidos, para afirmar: O pacote é p’ra cair!» anuncia Alice Martins, jovem operária têxtil, para uma multidão de outros tantos jovens trabalhadores ao final da manifestação convocada pela Interjovem da CGTP-IN.

Alice faz parte da «geração mais qualificada de sempre» e que, em contrasenso, é também a «geração que vê os seus direitos mais ameaçados», diz a própria ao microfone. Esta contradição, sustentada pela precariedade laboral é nutrida diariamente pelo discurso que tenta convencer de que o precário é moderno e que menos direitos é o mesmo que mais liberdade. Mas Alice sabe e afirma que «não é para dar liberdade aos jovens que este pacote existe. É para dar liberdade aos patrões, liberdade para contratar sem compromissos, para despedir sem custos, para manter salários baixos e vidas precárias».

«Camaradas, isto é uma narrativa conveniente, mas é mentira! Não é verdade que os jovens recusam estabilidade», vinca a jovem.

Para além das falsas afirmações de que tais medidas foram feitas a pensar nos jovens, Alice também denuncia as injustiças que acontecem em seu sector: «empresas que fecham um ano com 12 milhões de euros de lucro, mas que na negociação colectiva nos oferecem 15 cêntimos de aumento no subsídio de alimentação, que é de apenas 2,80 euros».

«Falta coragem»

Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN, também esteve presente na manifestação e correlacionou os conflitos que decorrem actualmente no plano internacional com a falta de coragem para encarar os problemas ao nível nacional. «Isto é o imperialismo, a exploração, o saque dos recursos, o domínio sobre os outros, o propósito da subjugação dos povos», afirma o dirigente. A natureza da submissão da UE frente às ações americanas é a mesma que explica a obediência dos sucessivos governos com o patronato.

Após saudar a luta do povo cubano, palestiniano, venezuelano e dos povos no Médio Oriente e no mundo, Tiago Oliveira volta à realidade portuguesa: «mal é de um povo, de um país em que o seu governo vê a saúde, a educação, a estabilidade do seu povo como uma despesa, ao mesmo tempo que o privado vê tudo o mesmo como a hipótese de conseguir ainda mais lucro». 

«Vemos um país cada vez mais de pernas para o ar, onde os mais ricos cada vez têm mais e mais dinheiro, mais e mais lucro, menos e menos impostos sobre eles», afirmou Oliveira.

A luta não pára

No final das intervenções, foi lida e aprovada por aclamação uma moção da Direção Nacional da Interjovem/CGTP-IN, que sistematizou as principais reivindicações da manifestação, onde rejeitou-se o Pacote Laboral, classificando-o como uma ofensiva ao serviço dos grandes grupos económicos, e denunciando a degradação dos serviços públicos, o aumento brutal da habitação e o custo de vida que consome a totalidade dos rendimentos.

A moção sublinha que a resposta dos trabalhadores já foi inequívoca, com a Greve Geral de Dezembro e a entrega de mais de 190 mil assinaturas ao primeiro-ministro, e exige a retirada imediata do pacote, a revogação das normas gravosas na legislação laboral, e a defesa intransigente dos direitos consagrados na Constituição. Os jovens trabalhadores comprometem-se a intensificar a luta e a marcar presença na manifestação nacional de 17 de Abril, em Lisboa.

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