|conflito laboral

Porque é que a Amorim Florestal «teme a organização dos seus trabalhadores»?

A empresa proibiu a realização de uma acção de esclarecimento da União de Sindicatos do Norte Alentejano com os trabalhadores, constituindo um «ataque anti-constitucional à liberdade sindical».

Herdade do Conqueiro, em Avis, propriedade da Corticeira Amorim 
Herdade do Conqueiro, em Avis, propriedade da Corticeira Amorim CréditosNuno Veiga / Agência Lusa

«O objectivo desta jornada de contacto era o esclarecimento. Pretendia-se dar nota, não apenas da organização de uma manifestação nacional no próximo sábado dia 20 de Novembro, mas também das reivindicações que constam do processo de negociação colectivo que decorre em todo o sector corticeiro, bem como do seu ponto de situação», clarifica a União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA/CGTP-IN), em comunicado enviado ao AbrilAbril.

Mesmo tendo sido informada, com antecedência e nos termos da lei, da actividade sindical que se iria realizar nesse dia, e em que participariam dirigentes sindicais da USNA e do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Similares, Construção, Madeiras, Mármores, Cortiças do Sul e Regiões Autónomas (STCCMCS\CGTP-IN), a Amorim Florestal, que pertence à Corticeira Amorim, não hesitou em impedir a entrada dos sindicalistas nas suas instalações.

Curioso foi logo após a GNR ter sido chamada ao local, pelos sindicatos, se ter esfumado a oposição da empresa. Os dirigentes sindicais presentes foram rapidamente informados de que afinal já teriam acesso às instalações, desde que permanecessem junto à portaria.

E porque teria a empresa tanto medo, ao ponto de quebrar, conscientemente, a lei, que os sindicalistas contactassem com os trabalhadores? Que estes fossem informados sobre o «processo negocial em curso no sector corticeiro»? Que fossem informados sobre a «manifestação nacional no dia 20 de Novembro»?

Provavelmente, tentavam «ocultar aos trabalhadores da empresa o motivo pelo qual os seus salários não aumentam de forma digna», mesmo que empresas, como é o caso da Amorim, continuem a registar lucros milionários e mantenham um papel activo «neste bloqueio salarial».

Os trabalhadores têm exigido o «aumento dos dias de férias, a redução da jornada de trabalho semanal para as 35 horas e a atribuição de diuturnidades», num clima de assédio laboral promovido pela empresa, que já chegou a «ameaçar» todos aquelas que participem em plenários sindicais com a retirada de dias de férias.

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