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No sector têxtil houve um aumento de… 20 cêntimos para a alimentação

Os trabalhadores do sector têxtil da Beira Baixa abrangidos pelo Contrato Colectivo de Trabalho dos Lanifícios passam a receber 3 euros por dia de subsídio de alimentação, quando até Junho recebiam 2,80 euros por dia. Um aumento de 20 cêntimos que serve apenas para cumprir o mínimo dos mínimos. 
 

Créditos / CGTP-IN

O Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Baixa divulgou uma nota à comunicação social onde expõe um clima de descontentamento generalizado entre os trabalhadores do sector.

Após duas semanas de plenários por várias empresas, o sindicato constatou que grande parte do descontentamento geral prendia-se, sobretudo, pelo valor do subsídio de alimentação, que a partir de Agosto será de apenas 3 euros por dia, mais 20 cêntimos do que os 2,80 euros praticados.

Apesar do aumento, o sindicato considera o montante «inaceitável» e «manifestamente insuficiente» face à subida do custo de vida e aos lucros milionários apresentados por algumas empresas. Em destaque, a empresa Paulo de Oliveira, que registou lucros líquidos de 11,9 milhões de euros em 2023 e 10,1 milhões em 2024, mas mantém-se pelo valor mínimo previsto no Contrato Colectivo de Trabalho dos Lanifícios.

Face a tal, a estrutura sindical questiona «como pode uma empresa que apresenta lucros superiores a 10 milhões de euros continuar a pagar apenas o valor mínimo do subsídio de alimentação?».

É precisamente na empresa Paulo de Oliveira que o sindicato dá conta que os trabalhadores denunciaram durante os plenários realizados nas últimas semanas, condições precárias de higiene nas instalações. Segundo os relatos, apenas uma funcionária é responsável pela limpeza de toda a fábrica, e as casas de banho das diversas secções são lavadas apenas uma vez por semana, já nos restantes dias, limita-se a reposição de papel higiénico e a recolha de resíduos.

Tão grave como as condições, para a estrutura sindical, é a empresa ter sugerido que fossem os próprios trabalhadores a assegurar diariamente a limpeza destes espaços. «A limpeza das instalações é uma responsabilidade da entidade patronal e não pode ser
transferida para trabalhadores contratados para exercer funções completamente
distintas», pode ler-se na nota sindical.

Além deste caso, a estrutura afecta à CGTP-IN saúda ainda a «determinação e unidade» das trabalhadoras da Benoli, que exigem o aumento do subsídio de alimentação, bem como os trabalhadores da Haco Etiquetas, que, face aos resultados positivos da empresa, reivindicam melhores condições e um subsídio digno.

O sindicato alerta que as empresas do sector estão a perder mão-de-obra para outras entidades que oferecem melhores salários e subsídios mais altos, e aponta aos patrões que «lamentam a dificuldade em recrutar e fixar trabalhadores», quando são as próprias opções patronais que alimentam esse problema.
 

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