Numa declaração emitida este sábado, a organização não governamental (ONG) sublinha que o número de crianças deslocadas à força desde Janeiro (mais de mil) representa cerca de metade do número de menores forçados a abandonar as suas casas devido à violência dos colonos nos três anos anteriores (aproximadamente 2000 entre Janeiro de 2023 e Dezembro de 2025).
A Save the Children refere-se a dados das Nações Unidas que evidenciam um aumento significativo dos ataques realizados por colonos israelitas em toda a Cisjordânia ocupada.
De acordo com a ONU, os ataques de colonos aumentaram 45% no primeiro semestre de 2026 por comparação com o mesmo período do ano anterior.
Entre Janeiro e Junho deste ano, foram registados mais de 1020 ataques de colonos, face a 757 incidentes semelhantes nos primeiros seis meses de 2025.
Diversas organizações humanitárias têm alertado repetidamente que os ataques de colonos israelitas – visando casas, terras agrícolas, gado e comunidades palestinianas – se intensificaram no contexto da expansão das actividades dos colonatos em todo o território ocupado, indica a PressTV.
Inquérito da ONU
O relatório fez também referência às conclusões da Comissão Internacional Independente de Inquérito (COI) da ONU, instituída pelo Conselho de Direitos Humanos em Maio de 2021.
De acordo com a comissão, a violência dos colonos é organizada e facilitada pelas autoridades de ocupação israelitas através de um clima de impunidade.
O inquérito afirmou que o governo israelita e o exército de ocupação estão directamente implicados em ataques levados a cabo por colonos que mataram, feriram e deslocaram palestinianos.
Escalada de violência e centenas de feridos
Do número crescente de ataques resultou também um número crescente de palestinianos feridos. De acordo com os dados da ONU citados no relatório, aproximadamente 569 palestinianos foram feridos por colonos israelitas desde o início de 2026.
O documento compara este número com os feridos registados em 2025, em 2024 e em 2023: respectivamente, 832, 362 e 376.
A violência na Cisjordânia ocupada intensificou-se drasticamente desde Outubro de 2023, com incursões militares israelitas a ocorrerem em paralelo com ataques cada vez mais frequentes por parte dos colonos.
De acordo com os dados oficiais palestinianos, as forças de ocupação israelitas e os colonos mataram 1181 palestinianos na Margem Ocidental ocupada desde o início da ofensiva genocida contra a Faixa de Gaza.
Neste período, até 7 de Julho corrente, quase 13 mil palestinianos foram feridos e cerca de 24 mil foram detidos.
Especialista da ONU refere-se à violência dos colonos como «pogroms»
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinianos ocupados, classificou este sábado como «pogroms» os ataques israelitas contra civis palestinianos em toda a Cisjordânia ocupada.
«Pogroms contra civis indefesos por toda a Cisjordânia, enquanto Gaza está debaixo de fogo», escreveu Albanese na sua conta de Twitter (X).
Afirmou que os colonos israelitas e o exército estavam a «juntar forças» para levar a cabo os ataques, e defendeu que a responsabilização não se limita ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ou a «algumas maçãs podres».
«Embargo de armas já – parem o comércio já», declarou Albanese, frisando que tais medidas são obrigações requeridas pelo direito internacional.
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