«A ofensiva política e ideológica lançada pela administração de Donald Trump e pelo secretário de Estado Marco Rubio começa a traduzir-se em medidas concretas de perseguição contra os órgãos de comunicação social e as organizações sociais de esquerda nos Estados Unidos», destaca o portal cubainformacion.tv.
No passado dia 21, a Comissão de Orçamento e Finanças (Ways and Means Committee) da Câmara dos Representantes emitiu intimações contra três entidades: o colectivo internacionalista e anti-imperialista The People’s Forum, o meio de comunicação BreakThrough News e o Instituto Tricontinental.
A justificação oficial, refere a fonte, é uma investigação sobre um alegado «fluxo de mais de 39 milhões de dólares ligados ao empresário tecnológico Neville Roy Singham» e sobre alegadas «ligações a organizações relacionadas com o Partido Comunista da China».
O comité diz pretender determinar se estas entidades, isentas de impostos, «participaram em actividades políticas ou de protesto» que possam violar a legislação fiscal norte-americana.
«No entanto, o contexto político deixa poucas dúvidas sobre o verdadeiro objectivo desta operação», afirma a fonte, lembrando que, poucos dias antes, Marco Rubio tinha apresentado o relatório «Cuba: a Capital do Comunismo do Século XXI», documento que, sublinha, «recupera a pior tradição do macartismo norte-americano ao rotular como suspeitas quaisquer organizações, órgãos de comunicação e movimentos que se oponham ao bloqueio contra Cuba, apoiem a causa palestiniana ou questionem a política externa de Washington».
Ao mesmo tempo que alavanca o endurecimento do bloqueio económico e as ameaças de intervenção contra Cuba, o relatório criminaliza aqueles que, nos Estados Unidos, manifestam solidariedade com a Ilha e outras causas internacionais, destaca o cubainformacion.tv.
BreakThrough News denuncia ataque à liberdade de imprensa
Em comunicado, o BreakThrough News denuncia que se tornou alvo de uma verdadeira «caça às bruxas» promovida pelo comité parlamentar controlado pelo movimento MAGA.
O portal noticioso afirma que a intimação lhe exige comunicações internas, registos financeiros e outra documentação, apesar de não ser acusado de qualquer crime.
«Eles sabem que o nosso orçamento é microscópico comparado com o das gigantescas corporações de comunicação social financiadas por multimilionários», afirma o comunicado, frisando que a sua principal fonte de financiamento provém dos seus leitores e apoiantes, sem terem recebido «um único cêntimo de qualquer instituição ou Estado estrangeiro».
No entender dos responsáveis do portal, o único «crime» cometido foi o de informar sobre as mobilizações solidárias com a Palestina, denunciar as operações contra migrantes realizadas pelo ICE e «expor os crimes de Washington pelo mundo fora, de Cuba até ao Congo».
Os responsáveis sublinham que a intimação constitui «um flagrante abuso de poder» e «um ataque directo» contra o trabalho jornalístico, mas deixam claro que não irão interromper o seu trabalho nem vão ficar calados perante «a clara intimidação política da direita».
The People’s Forum: «Reedição do Comité de Actividades Anti-americanas»
Por seu lado, a organização The People’s Forum considera que a actual administração norte-americana e os seus aliados no Congresso deram início a uma ofensiva generalizada contra as organizações progressistas, socialistas e de esquerda.
Manolo De Los Santos, director executivo do organismo solidário e anti-imperialista, denuncia que a intimação recebida requer a entregar de comunicações internas, documentos organizativos e registos financeiros até 7 de Agosto.
No seu comunicado, The People’s Forum afirma que a investigação parlamentar «não é uma supervisão legislativa legítima», mas uma «perseguição política, nos moldes do Comité de Actividades Anti-americanas» (HUAC, na sigla em inglês), que foi responsável pela perseguição de milhares de pessoas pelas suas ideias políticas.
A organização lembra que o relatório do Departamento de Estado promovido por Marco Rubio «atribui abertamente à caça às bruxas de Joe McCarthy a destruição de um movimento socialista robusto que existiu nos Estados Unidos até ser esmagado após a Segunda Guerra Mundial».
Adverte ainda que The People’s Forum não é o único visado no documento do Departamento de Estado, no qual se aponta o dedo a diversas organizações que «defendem direitos constitucionais e a dignidade humana», nomeadamente a National Lawyers Guild (NLG), CODEPINK, Democratic Socialists of America (DSA), Brigada Venceremos e IFCO/Pastores pela Paz.
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