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MEO: Não têm pão? Comam mais 20 cêntimos de subsídio de alimentação

Para a MEO manter o serviço, é indispensável (dizem) aumentar os clientes em 2,3% (inflação de 2025). O mesmo não se aplica aos trabalhadores, a quem o patronato só pretende atribuir um aumento anual de 1,3%.

CréditosCarlos M. Almeida / Lusa

A MEO anunciou uma (nova) actualização unilateral dos preços para 2026, aumentando os clientes em 2,3%, em linha com a inflação de 2025. O patronato justifica esta decisão com a suposta necessidade de «manter o elevado padrão de qualidade e o nível de investimento na inovação e nas redes móvel e de fibra óptica», muito embora a empresa tenha recebido perto de 20 mil reclamações escritas no ano passado.

Esta necessidade imperiosa de aumentar preços não parece, no entanto, destinada a valorizar os trabalhadores que asseguram o funcionamento da MEO. Na primeira reunião negocial do Acordo Colectivo de Trabalho (ACT), os sindicatos foram confrontados com uma proposta de aumento de 1,8% (a aplicar em Julho de 2026, o que na prática significa um aumento anual de apenas 1,3%) e mais 20 cêntimos diários para o subsídio de alimentação.

O valor apresentado pela MEO, liderada por Ana Figueiredo, «não compensa a perda de poder de compra acumulada nem acompanha o aumento do custo de vida sentido pelos trabalhadores e suas famílias», defende um comunicado conjunto de sete sindicatos que participaram nas negociações, enviado ao AbrilAbril pelo Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações e Comunicação Audiovisual (STT/CGTP). 

Também a proposta de actualização do subsídio de refeição, de apenas 20 cêntimos por dia, com efeitos a 1 de Julho, é um insulto para os trabalhadores. A esmola de 20 cêntimos diários não cobre «o aumento real dos preços das refeições e representa um acréscimo de até 4.40 euros por mês». A administração de Ana Figueiredo está muito preocupada com a inflação (ao ponto de imputar os aumentos aos clientes) mas não vê qualquer problema em deixar os seus trabalhadores a viver com salários muito baixos.

Os vários sindicatos comprometeram-se a «lutar por aumentos justos, que valorizem o trabalho e a dedicação dos trabalhadores que constroem todos os dias a MEO». A próxima reunião ficou marcada para o dia 27 de Janeiro, às 10h.

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