Depois da Manpower tem rompido com as negociações

A luta persiste no contact center da EDP em Seia

Os trabalhadores do contact center da EDP em Seia voltaram a realizar uma greve de 24 horas, com uma concentração à porta das instalações. Exigem a negociação célere do caderno reivindicativo e melhores aumentos salariais.

Foto de arquivo: trabalhadores do contact center da EDP de Seia concentrados junto às cancelas de acesso às instalações
Foto de arquivo: trabalhadores do contact center da EDP de Seia concentrados junto às cancelas de acesso às instalações Créditos / SITE CN

A ManpowerGroup Solutions, empresa pela qual os trabalhadores do contact center da EDP de Seia são contratados, rompeu as negociações do caderno reivindicativo. A empresa cancelou a reunião que estava marcada para dia 6 de Março e decidiu aplicar aumentos salariais e do subsídio de refeição, sem negociação, por acto de gestão. Os trabalhadores defendem aumentos salariais consentâneos com as suas reivindicações.

A ManpowerGroup Solutions, empresa pela qual os trabalhadores do contact center da EDP de Seia são contratados, rompeu as negociações do caderno reivindicativo.

Reunidos em plenário nesse mesmo dia, os trabalhadores decidiram realizar uma greve de 24 horas, que teve lugar hoje. A maioria aderiu à greve, que teve maior expressão no mercado regulado. Fonte do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro Norte (SITE CN) informou que os serviços só não estão mais afectados porque a empresa recorreu à realização de trabalho suplementar e a alterações de horário.

No plenário foi aprovada uma moção onde a empresa é acusada de ter posições que prejudicam os trabalhadores, nomeadamente: a transformação dos actuais cinco escalões salariais em quatro; ou a atribuição de apenas 15 euros para o escalão dos seis aos oito anos de antiguidade, e de apenas dez euros para o último escalão. Os trabalhadores queixam-se ainda de que os valores dos prémios são desproporcionados relativamente aos salários-base, sendo que nem todos os trabalhadores recebem tais prémios ou são penalizados nos valores por faltas de parentalidade, nojo ou de trabalhador-estudante (que a empresa havia afirmado que não contava para a definição do prémio).

Agravando a situação dos trabalhadores, na passada sexta-feira ocorreram contactos para rescisões de contratos, desencadeados pela empresa para evitar que trabalhadores com vínculos precários passem ao quadro permanente.

Os trabalhadores solicitam à empresa a reavaliação da sua posição relativamente ao caderno reivindicativo e, desde logo, o cumprimento das evoluções de escalão, como negociado com a empresa anterior, a Reditus, em 2014, e que a ManpowerGroup Solutions disse em Maio de 2016 que iria cumprir. Esperam ainda que a empresa marque o quanto antes uma reunião com a direcção e comissão sindical do SITE CN, com vista à continuação do diálogo.

Agravando a situação dos trabalhadores, na passada sexta-feira ocorreram contactos para rescisões de contratos, desencadeados pela empresa para evitar que trabalhadores com vínculos precários passem ao quadro permanente. O sindicato prevê que, caso os trabalhadores não consigam travar o processo, tal poderá afectar cerca de cem profissionais.

O sindicato sublinhou ainda que, apesar da sua aplicação por acto de gestão, os aumentos salariais (que variam entre 23 e 48 euros) e o aumento de 13 euros do subsídio de alimentação só se concretizaram devido ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores. As greves mais recentes ocorreram a 13 e a 28 de Fevereiro.