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Greve nos call centers da EDP com 95% de adesão

Teve lugar esta terça-feira a primeira greve convergente dos trabalhadores dos call centers da EDP, em Seia e em Lisboa, num protesto contra o «dividir para reinar» e a precariedade.

Concentração realizada em Seia, 13 de Junho de 2019
Concentração realizada em Seia, 13 de Junho de 2019Créditos / SITE CN

A exigência de aumentos salariais e de melhores condições de trabalho estão entre as razões da greve de 24h na Manpower e na Randstad, ambas empresas de trabalho temporário através das quais a EDP recorre para contratar os trabalhadores dos seus  call centers.

Em comunicado, o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI/CGTP-IN) sublinha que os únicos aumentos salariais que os trabalhadores tiveram foram apenas fruto da subida do salário mínimo nacional. Além disso, considera que, por exercerem funções que são imprescindíveis ao quotidiano da empresa, deveriam ser contratados directamente pela EDP, acabando com o intermediário que apenas existe para «embaratecer os custos do trabalho» e arrecadar lucros.

Também o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro e Norte (SITE-CN/CGTP) se juntou a esta greve e mobilizou cerca de uma centena de trabalhadores do call center de Seia para uma concentração, na manhã de ontem, à porta da empresa. O sindicato sublinha que «o descontentamento é geral» e que a greve foi marcada em plenário sem nenhum voto contra.

José Paixão, dirigente do SITE-CN, afirmou ao AbrilAbril que esta foi «a maior greve alguma vez realizada neste local de trabalho» e que só funcionaram os serviços mínimos. Os trabalhadores esperam que a grande perturbação causada e a «forma clara como manifestaram o seu descontentamento» force a empresa a mudar de posição. Os salários de miséria para trabalhadores qualificados (com 6 escalões a receber entre 600 a 642 euros), são «inaceitáveis, face aos lucros conhecidos».

Anabela Silva, dirigente do SIESI, em declarações ao AbrilAbril, sublinha que a greve foi «excelente» com uma elevada adesão, a rondar os 95%, quer em Lisboa, quer em Seia. Segundo a dirigente, não pode ficar sem resposta a «falta de respeito quer por parte da empresa que paga o salário, quer por parte da própria EDP». Do caderno reivindicativo apresentado, que abrange várias matérias, desde os salários ao direito a férias, a empresa não respondeu positivamente a nenhum item.

«As prestadoras de serviços têm lucros à custa dos trabalhadores, que dispersam propositadamente, para dificultar a sua organização. É mesmo um dividir para reinar», afirmou a dirigente, acrescentando que, «apesar de se encontrarem em locais de trabalho diferentes e de trabalharem através de diferentes prestadoras de serviço, os trabalhadores da EDP reivindicam os mesmos direitos».

«Luta vai continuar em 3 frentes»

A incerteza em relação ao futuro é outra preocupação, já que o contrato de prestação de serviços à EDP termina em 2022 e os trabalhadores se encontram em situações de grande precariedade. A dirigente sublinha que a luta vai continuar em três frentes - junto ao Governo, junto à prestadora de serviços e junto à EDP.

No dia 18 de Junho haverá uma outra acção de luta, que se centrará na questão da deslocalização de cerca de 50 trabalhadores para Elvas. A concentração será em frente ao call center da EDP no Parque das Nações, para travar esta medida. O sindicato considera que esta transferência é um «autêntico despedimento», visto que os trabalhadores têm as suas famílias em Lisboa. Para além disso, consideram que os valores de indemnizações propostos são muito baixos.

No dia 24, nova concentração, desta vez junto à sede da Randstad, na Avenida da República, onde se manifestarão também os trabalhadores da empresa de trabalho temporário que trabalham para outras empresas.

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