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IPSS de Sintra com salários em atraso. Câmara rejeita responsabilidades

Antes das eleições, Marco Almeida (PSD) exigia que a câmara salvasse a APDJ, uma IPSS que trabalha com milhares de crianças no concelho. Agora que é presidente, recusa «competências» para proteger os mais de 100 trabalhadores.

Visita de campanha de Marco Almeida, agora presidente da Câmara Municipal de Sintra (CMS), à Associação para a Promoção do Desenvolvimento Juvenil (APDJ), com Andreia Bernardo, antiga deputada do PSD e vereadora da CMS, e Helena Coelho, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Sintra. 10 de Junho de 2025 

Créditos / Marco Almeida

A situação arrasta-se há vários meses. A 12 de Março de 2026, os Trabalhadores da Associação para a Promoção do Desenvolvimento Juvenil (APDJ) denunciaram publicamente a existência de salários em atraso nesta IPSS. Por essa ocasião, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN) pediu uma reunião com a Câmara Municipal de Sintra (CMS), presidida por Marco Almeida – financiadora da instituição. 

Quatro meses depois, o executivo PSD e CH (que inclui uma vereadora eleita pela IL a quem foi retirada a confiança política) ainda não encontrou tempo para falar com os representantes sindicais destes trabalhadores. Com mais de uma centena de profissionais, a APDJ, com mais de 20 anos de actividade, acompanha 15 escolas no concelhos de Sintra, promovendo actividades de tempos livres, apoio à família (CAF) e de enriquecimento curricular (AEC) com mais de 1500 crianças e jovens.

A 10 de Junho de 2025, Marco Almeida era mais solícito nos pedidos de reunião. Em campanha eleitoral, o candidato visitou a APDJ e denunciou a situação «crítica» em que se encontrava, apelando «à gestão do PS na Câmara de Sintra: salvem a APDJ e garantam a continuidade das atividades para os nossos alunos». Um ano depois, a gestão do PSD/CH já está menos alarmada com a situação: em resposta à Antena 1, a CMS diz estar «a acom­pa­nhar o pro­cesso, mas não ter com­pe­tên­cia para actuar no âmbito das rela­ções labo­rais entre a asso­ci­a­ção e os seus tra­ba­lha­do­res».

Neste momento, e ao que apurou a rádio pública, os trabalhadores apenas receberam 45% do seu salário enquanto lhes é pedido «para aguentarem em funções (horários prolongados, pois estão a fazer as férias de Verão), mesmo sem receber o que lhes é devido», afirma o sindicato, em nota enviada ao AbrilAbril.

O STFPSSRA já anunciou a sua intenção de «accionar as entidades competentes», sem deixa de insistir junto da Câmara de Sintra para que esta tenha um papel mais interventivo em toda a situação. Em caso de encerramento definitivo da APDJ, o sindicato defende que os trabalhadores que assim o pretendam possam ter «o seu contrato transmitido à nova entidade, visto que as funções são as mesmas, no âmbito de CAF e AEC das Escolas da Rede Pública do Concelho de Sintra».

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