Passar para o conteúdo principal

|Chile

Sindicatos chilenos alertam para o impacto dos cortes na saúde pública

Diversas estruturas sindicais alertam que os cortes orçamentais aplicados pelo governo de Kast no sector da saúde estão a ter efeitos no sistema público e sobretudo nos cuidados primários.

saúde pública privatizações direito austeridade cortes
Créditos / PL

Numa missiva entregue no Palácio de La Moneda, a Confederação Nacional dos Funcionários da Saúde Municipal (Confusam), que conta com mais de 70 mil filiados, manifestou o seu repúdio pela política de austeridade, que pode provocar a interrupção de cerca de 40 programas.

Enfraquecer os cuidados de saúde primários (sistema APS no Chile) «significa aumentar as listas de espera, sobrecarregar a rede hospitalar e aprofundar as desigualdades no acesso aos cuidados médicos», referiu o sindicato.

Por seu lado, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde Pública (Fenats) denunciou que os cortes reduziram a capacidade de funcionamento dos hospitais e centros de saúde do país austral.

Em resposta às declarações da ministra chilena da Saúde, May Chomalí, que defendeu o reforço da relação público-privado na prestação de cuidados, o presidente da Fenats, Emerson Barrios, sublinhou que os hospitais estão a funcionar com menos recursos, enfrentam dificuldades para contratar pessoal, sem investimentos e a dar uma resposta com capacidades limitadas, indica o portal biobiochile.cl.

«Essa é a realidade que vivem diariamente os trabalhadores e também os pacientes que aguardam pela prestação de cuidados de saúde dignos e oportunos», disse, sublinhando que, ao contrário do que afirma o governo, as suas decisões continuam a empobrecer a saúde pública.

Cortes estão a atingir o coração do sistema público

Num extenso artigo, este sábado, o jornal El Siglo relembrou que o sector vai receber menos 413 mil milhões de pesos (cerca de 390 milhões de euros), o que equivale a perto de 2,5% do orçamento do Ministério da Saúde.

Isto materializa-se em menos verbas para 80 hospitais, para os cuidados de saúde primários, os serviços de saúde concelhios, as redes de assistência, o Fundo Nacional de Saúde e áreas como a saúde mental.

«Os cortes não estão a atingir zonas periféricas. Estão a afectar o próprio coração do sistema de saúde», alertou a presidente do Colégio Médico, Anamaría Arriagada, citada no artigo.

A responsável defendeu que as consequências dos severos cortes orçamentais na saúde «são previsíveis». Como exemplos, referiu-se à «capacidade reduzida para resolver problemas, maiores dificuldades em lidar com as listas de espera, atrasos nos projectos estratégicos, pressão adicional sobre as equipas clínicas que já trabalham sob exigências extraordinárias e crescente vulnerabilidade do sistema público de saúde a potenciais emergências sanitárias».

Por seu lado, o médico e deputado Fernando Zamorano (Partido pela Democracia) frisou que o governo não pode dizer ao país que a política de austeridade «não afecta os cuidados de saúde quando os hospitais públicos funcionam há anos à beira do colapso». 

Neste sentido, denunciou que o Estado destina menos verbas à protecção da saúde dos seus cidadãos, e que as famílias gastam mais para suprir essa carência. «Na prática, num sistema que já está no limite, cada peso que se tira compromete inevitavelmente a prestação de cuidados: menos materiais, menos turnos, menos exames a tempo, mais esperas», refere El Siglo.

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui