|Refinaria da Petrogal

Incerteza quanto ao futuro na refinaria de Matosinhos

A Galp voltou a suspender a produção de combustíveis em Matosinhos. Os trabalhadores temem pelos impactos na região, uma vez que muitas empresas trabalham directamente para a refinaria.

Refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, Matosinhos. Foto de arquivo
Refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, Matosinhos. Foto de arquivo Créditos / JM

O ajustamento operacional traduziu-se na suspensão, desde 10 de Outubro, da produção de combustíveis em Matosinhos e a Galp garante que não terá impacto nos trabalhadores.

Mas, ao contrário do que é dito pela empresa, serão abrangidos pela paragem cerca de 50 de trabalhadores e apenas duas dezenas são da Petrogal. Os restantes pertencem a empresas prestadoras de serviços, pelo que as garantias da Galp apenas abrangem os primeiros. 

Em declarações ao AbrilAbril, Telmo Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Norte (SITE Norte/CGTP-IN), refere que, depois da reunião de ontem com a direcção da empresa, os trabalhadores continuam sem respostas.

«Colocámos, concretamente, a situação que se vive na refinaria, mas a direcção continua a ser evasiva e a dizer que tudo vai depender dos mercados», afirma o dirigente, acrescentando que os trabalhadores estão a ser dispensados de se apresentar ao serviço até ao final do ano, e que muitos foram forçados a colocar férias e folgas dos anos transactos, com impactos nos subsídios de alimentação.

Ressalvando que esta situação está a criar um «clima de incerteza» em relação ao futuro, Telmo Silva diz também que, em termos técnicos, a situação não é sustentável, porque os equipamentos estão preparados para trabalhar de forma contínua.

A paragem vai ter também «grande impacto na economia regional, porque há muitas empresas que trabalham directamente para a refinaria», acrescentou. 

Em Sines a situação é idêntica

Se em Matosinhos há stock de produto, em Sines não se prevê que a actividade de produção pare, mas há outros motivos de preocupação. A empresa interrompeu os investimentos em novas unidades, destinadas a aumentar a eficiência da refinaria, afectando 200 trabalhadores de empresas subcontratadas, que não voltaram ao serviço.

Tal como Hélder Guerreiro, da comissão de trabalhadores da Petrogal, já havia afirmado ao AbrilAbril, o corte anunciado de 500 milhões de euros em despesas operacionais e em investimento nos anos 2020 e 2021, reflecte-se na refinaria e na região.

Em Abril foram dispensados quase uma centena de trabalhadores da manutenção da refinaria, e que estavam ao serviço de empresas subcontratadas, como a CMN, subcontratada da Martifer, à qual a Galp havia adjudicado o contrato.

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