A situação, classificada como «de extrema gravidade» pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral, porém a estrutura não se fica por aqui na avaliação. Para a estrutura afecta à Federação Nacional dos Médicos (FNAM), o sucedido é «resultado de uma degradação progressiva e intencional do SNS, promovida pela inação do Governo, que cria as condições para justificar a transferência de cuidados para grupos privados».
De acordo com a descrição do SMZS, a escala daquela noite era manifestamente insuficiente. A partir da meia-noite do dia 2, e até às 8h do dia 3, apenas um médico ficou responsável por toda a área ambulatória. À mesma hora, circulavam pela urgência 179 doentes, com mais de 60 internados no serviço de observação.
Como consequência, os tempos de espera atingiram níveis críticos. Doentes com triagem laranja, que indica uma situação potencialmente grave, aguardavam mais de 6 horas pela primeira observação. Já os doentes amarelos chegavam a ultrapassar as 20 horas de espera, um cenário que o sindicato considera «claramente incompatível com cuidados de saúde seguros e atempados».
O sindicato sublinha que esta situação era do conhecimento do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra, pois a escala insuficiente estava previamente definida. Apesar disso, «não foi tomada qualquer medida para prevenir ou corrigir uma situação anunciada», mesmo num contexto de pico sazonal de gripe.
Apesar de responsabilizar directamente a Administração da ULS Amadora-Sintra, que está demissionária desde o início de Novembro sem ter sido ainda substituída pela tutela, a crítica estende-se também ao plano nacional. «O Governo e a Ministra da Saúde têm optado por manter as urgências hospitalares sem capacidade de resposta, falhando na adopção de medidas eficazes de fixação de médicos no SNS», afirma.
O sindicato refere ainda que o anúncio de reforço das equipas do hospital pela Comissão Executiva do SNS também «não parece produzir efeitos visíveis» e manifesta total solidariedade com os profissionais que trabalham «em condições extremas, com enorme desgaste físico e emocional» na urgência do Hospital Amadora-Sintra.
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