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Há mais trabalhadores imigrantes a serem despejados pela Webhelp, denuncia o CESP

A empresa arrombou as portas, sequestrou os bens pessoais e mudou as fechaduras de dois dos seus trabalhadores, estrangeiros, num despejo ilegal. CESP/CGTP convoca novo protesto para o dia 20 de Maio, às 16h15.

Os ataques a imigrantes não são um exclusivo de grupos neo-nazis. O CESP/CGTP-IN realizou hoje, 6 de Maio de 2024, um protesto contra a Webhelp/Concentrix em Lisboa, denunciando o despejo ilegal de dois trabalhadores estrangeiros sem qualquer ordem do tribunal ou aviso prévio. O sindicato já tinha conseguido evitar por duas vezes esta acção repressiva. 
Créditos / CESP

Ao longo do mês de Abril, a Webhelp, uma empresas de tecnologia com vários escritórios espalhados por Portugal, que agora adoptou o nome de Concentrix, foi impedida de despejar ilegalmente dois dos seus trabalhadores pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN).

Sem capacidade para o fazer à vista de todos (o sindicato, para além de concentrações à porta do prédio, chamou sempre a polícia para bloquear a ilegalidade da Webhelp) a empresa decidiu, durante o horário de trabalho destes trabalhadores, arrombar as portas, sequestrar os seus bens pessoais e mudar as fechaduras. Foram, efectivamente, expulsos dos quartos pelos quais a empresa cobra cerca de 300 euros por mês.

A Webhelp/Concentrix «ameaçou ainda os restantes trabalhadores a residir naqueles apartamentos para a mesma consequência caso abrissem a porta aos trabalhadores despejados». Num comunicado enviado ao AbrilAbril, o CESP confirma ter recebido «denúncias de novas ameaças de despejos de trabalhadores». Há relatos de trabalhadores que passaram por situações idênticas — «tanto ocorridas no passado como novas, sempre por faltas injustificadas».

«A Webhelp/Concentrix não pode sair impune»! O sindicato convoca uma nova acção de protesto em frente aos escritórios da empresa no Parque das Nações, em Lisboa, no dia 20 de Maio, entre as 16h15 e as 18h.

Esta empresa alicia trabalhadores estrangeiros ao incluir (mediante o pagamento de 280 euros mensais, descontados directamente do salário) a oferta de alojamento, sem que lhes seja dado um recibo de arrendamento. Isto leva, num mercado liberalizado e cada vez mais inacessível, muitos destes trabalhadores a aceitar a proposta e descolarem-se para o país.

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