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Greve contra laboração contínua pára Matutano

Os trabalhadores da Matutano estão em greve esta quinta-feira, contra a implementação unilateral do regime em laboração contínua na fábrica. Apesar da chegada de fura-greves, a produção está parada.

Piquete de greve à porta da Matutano
Piquete de greve à porta da MatutanoCréditos

Depois da forte adesão registada na greve de 21 de Dezembro, os trabalhadores da Matutano retomaram hoje a contestação na fábrica de batatas fritas e frutos secos tostados, localizada no Carregado e detida pela multinacional PepsiCo.

Em causa está a decisão da administração da Matutano, contra a vontade dos trabalhadores e sem qualquer negociação prévia, de avançar com a introdução de um regime de laboração contínua na fábrica. Tal mudança é feita com base numa autorização ministerial de 1995, ou seja, passados 24 anos.

Rui Matias, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabaco de Portugal (Sintab/CGTP-IN), afirmou ao AbrilAbril que o piquete de greve contou com mais de 200 trabalhadores, ou seja, com «uma adesão de 100%». O dirigente denuncia ainda que a administração da Matutano recorreu a fura-greves.

«Já chamámos a Autoridade para as Condições do Trabalho, porque a empresa convocou outros trabalhadores para substituir os grevistas. Entrou com dois autocarros, com pessoal de uma empresa de trabalho temporário, ninguém sabe de onde vieram, nem quem são», reiterou.

Todavia, Rui Matias assinalou serem «cerca de 30 trabalhadores», um número muito aquém do necessário para a fábrica funcionar. «É um ponto de honra para a administração dizer que tem alguém nas linhas. A fábrica não funciona só com estes trabalhadores, nós sabemos que está parada», realçou.

Trabalhadores prometem manter contestação

Questionado sobre linhas de acção futuras, o dirigente sindical frisou que «a administração, pura e simplesmente, não quer dialogar». Realçando que amanhã haverá plenários para decidir acções de luta futuras, Rui Matias assinalou que já estão em marcha outras formas de contestação.

«Vamos para tribunal. A laboração contínua começou ontem na fábrica, com os horários que a empresa ilegalmente impôs. Já fizemos a oposição individual de cada trabalhador, em relação ao regime, sendo que, de momento, temos 133 oposições relativas ao nosso sindicato», salientou.

De igual forma, foi enviada hoje uma exposição por escrito à empresa-mãe, a PepsiCo, «a denunciar o comportamento desta administração».

O dirigente sindical reiterou que os trabalhadores estão empenhados, face aos enormes impactos que tal regime de laboração terá nas suas vidas. E acrescenta: «Até compraram uma faixa, com o seu próprio dinheiro, que diz "a luta continua, administração para a rua". Quando chegamos a este ponto, uma coisa destas escrita pelos trabalhadores, está tudo dito».

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