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Laboração contínua na Matutano esbarra em greve com forte adesão

Sindicato afirma que mais de 150 trabalhadores participaram no piquete de greve realizado esta manhã, em resposta à decisão da empresa de batatas fritas de introduzir a laboração contínua na fábrica.

Os trabalhadores protestam contra a implementação da laboração contínua e contra o regime de horários em quatro turnos
Foto de arquivo: protesto dos trabalhadores da MatutanoCréditos / Sintab

A elevada adesão à greve na fábrica da Matutano, sediada no Carregado, foi confirmada por Rui Matias, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabaco de Portugal (Sintab/CGTP-IN), em declarações ao AbrilAbril.

Segundo o dirigente, a concentração de trabalhadores à porta da fábrica é de facto «a maior manifestação de sempre aqui», tendo acrescentado que a adesão à greve é ainda maior, na ordem dos 80%, «o que revela o enorme desagrado dos trabalhadores com a decisão da administração».

«A empresa anda nisto desde o início de Dezembro e, sem qualquer consulta, quer introduzir a a laboração contínua com base numa autorização ministerial de 1995, ou seja, 23 anos depois», salientou.

«A empresa quer, de forma unilateral, sem negociação, a implementação de uma laboração contínua [a partir de 2 de Janeiro]. Os trabalhadores, que têm trabalhado desde sempre em regime de três turnos, [não aceitam o novo regime] que pressupõe que sábados, domingos e feriados sejam dias normais de trabalho», afirmou Rui Matias à Lusa.

«A Matutano é uma empresa "sui generis" com muitas mães trabalhadoras. Isto é um drama para estas mulheres, muitas delas jovens, que não têm onde deixar os seus filhos nos feriados sábados e domingos […]. Neste momento, há trabalhadores a pensar se valerá a pena continuar na empresa», acrescentou.

Novas greves convocadas para 2 e 3 de Janeiro

Reunidos na concentração à porta da empresa, os trabalhadores da Matutano decidiram esta manhã avançar com novo um pré-aviso de greve para os dias 2 e 3 de Janeiro. Caso a empresa insista com a laboração contínua, Rui Matias afirma que no dia 5 serão feitos novos plenários para «novas formas de luta».

Segundo Rui Matias, a administração da Matutano Portugal reuniu-se ontem com cerca de 200 trabalhadores para anunciar que o novo regime iria avançar, estando todos convocados para a laboração contínua já a 2 de Janeiro. Esta depois recusou-se a responder às questões dos funcionários.

O dirigente sindical denunciou que há muitas famílias a trabalhar na empresa, estando os elementos do casal a ser «assediados a comparecer ao seu local de trabalho, em função do seu cônjuge ou da sua situação contratual».

O regime de laboração contínua está previsto no Código do Trabalho para os casos onde existam serviços ou produções que, devido à sua importância, não podem ser interrompidos de qualquer forma.

A fábrica da Matutano, sediado no Carregado, em Lisboa, é actualmente detido pelo grupo Pepsi Co e dedica-se à produção de vários bens alimentares, nomeadamente várias marcas de batatas fritas como a Lays, Pála-Pala e Ruffles.


Com agência Lusa

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