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Greve à «bolsa de horas» leva a perseguição na Citroën

Em vez de perseguir aqueles que «corajosamente exerceram o direito à greve», o sindicato do sector exorta a PSA/Peugeot/Citroën a dialogar para resolver o desgaste dos trabalhadores.

SITE Centro-Norte define a primeira jornada de greve na PSA Citroën, em Mangualde, como «uma clara afirmação de unidade»
Créditos / Fiequimetal

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Centro e Norte (SITE Centro-Norte/CGTP-IN) acusou a empresa PSA/Peugeot/Citroën, em Mangualde, de ter desencadeado um procedimento «cirúrgico» contra trabalhadores que têm estado em greve à «bolsa de horas», pela defesa do direito à conciliação do trabalho com a vida pessoal, familiar e social e contra a desregulação dos horários de trabalho.

A empresa comunicou a alguns trabalhadores que teriam de passar para o turno fixo nocturno, deixando de laborar nos turnos rotativos de manhã e de tarde, refere o sindicato. «Ora, todos os contactados têm participado na greve» iniciada a 13 de Julho e convocada para todos os sábados até ao fim do ano, denuncia a estrutura sindical em nota de imprensa.

«Lamentavelmente, a empresa não olha a meios para tentar travar a luta dos trabalhadores», acrescenta o SITE Centro-Norte, para o qual fica mais uma vez demonstrado «o carácter vingativo desta administração» e que a greve tem tido os seus efeitos.

O documento lembra também que, quando os trabalhadores aceitaram a criação de uma «bolsa de horas», pretendiam ultrapassar o «momento difícil» que a empresa atravessava, situação que já foi resolvida. No comunicado, o SITE Centro-Norte cita o relatório estrutural da empresa para assinalar que as vendas e os lucros cresceram significativamente nos últimos quatro anos, um aumento muito superior ao do número de trabalhadores.

Mas a «bolsa de horas» manteve-se, «levando a uma situação de desgaste físico e psicológico dos trabalhadores», alerta a nota, afirmando que está na altura de «dialogar» e reflectir sobre estes processos de regulação dos horários de trabalho, assim como sobre a necessidade de concretizar um real aumento salarial.

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