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GNR usa instruendos como mão-de-obra barata?

A GNR, depois de utilizar 23 instruendos, que concluíram o curso de formação com aproveitamento, como estagiários no Algarve e a custos reduzidos, não os quer integrar nos seus quadros.

A Associação dos Profissionais da Guarda – APG/GNR denuncia, em comunicado, que 23 dos 323 instruendos do Curso de Formação de Guardas (CFG) aberto em Abril de 2016 «foram informados de que teriam que entregar a farda e todo o material que lhes fora distribuído e que não iriam ingressar na Instituição, independentemente de terem concluído o curso com aproveitamento e de estarem a dias de concluir o estágio curricular».

Isto é, segundo a APG, «o Comando-Geral da Guarda andou quase um ano a manter as expectativas destes 23 instruendos, utilizando-os, posteriormente, como estagiários, todos no suposto reforço de Verão ao Algarve, a custos reduzidos, pois auferiram cerca de 580 euros mensais».

O número de vagas do CFG foi fixado em 300, em Setembro último, por despacho conjunto dos ministérios da Administração Interna e das Finanças, e a ordenação final da classificação dos candidatos foi publicada em Outubro de 2016.

A APG/GNR insurge-se contras o que considera ser uma situação, de legalidade duvidosa, já que «o Comando da Guarda, quase um ano depois de saber que 23 instruendos ficariam fora da Instituição, optou por não cumprir o preceituado no despacho conjunto e utilizar esses elementos como se essa determinação não existisse». Por outro lado, sublinha que os 23 elementos, jovens que eventualmente deixaram os seus empregos para ingressar na GNR, foram formados a «expensas do erário público, do dinheiro dos contribuintes e que foram tratados como números, não como cidadãos com direito à dignidade».

A APG/GNR exige «que seja responsabilizado quem de direito, pois trata-se de uma situação inadmissível que colide com os mais elementares valores de uma instituição policial pública, que deveria pautar-se pelo rigor, pela justiça e pela transparência».

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