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Forte adesão marca arranque da greve de cinco dias na Petrogal

Os trabalhadores da Petrogal iniciaram esta segunda-feira uma greve de uma semana, em protesto por melhores condições de trabalho e contra a intenção da administração de caducar o contrato colectivo.

Conflito dos trabalhadores das refinarias com a administração mantém-se, tendo a última greve decorrido em Dezembro passado
Conflito dos trabalhadores das refinarias com a administração mantém-se, tendo a última greve decorrido em Dezembro passadoCréditos / JM

Os trabalhadores da Petrogal, detida maioritariamente pela Galp Energia, que detém as refinarias de Sines e Leça de Pameira, iniciaram hoje uma semana de greve, que decorrerá até às 14h de sexta, no primeiro caso, e até sábado, nas instalações no distrito do Porto. Em Lisboa, a greve é das 14 às 18h, até sexta-feira.

A paralisação foi convocada pelo Sindicato da Indústria e Comércio Petrolífero (SICOP) e pela Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Elétricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN).

Em declarações ao AbrilAbril, José Santos, dirigente da Fiequimetal, afirmou que a adesão à greve ronda os 80% na refinaria do Porto, com alguns casos nos 100%, como os trabalhadores do camiões de cisterna. No caso da refinaria de Sines, a adesão é de «aproximadamente 70%, até 90% em algumas secções».

A paralisação é motivada pela insistência da administração da Petrogal/Galp em caducar o contrato colectivo, com os trabalhadores a acusar esta de «manobras dilatórias, fingindo que quer negociar». Afirmam ainda não entender como é que pode alegar «dificuldades económicas» para fundamentar o pedido de caducidade, tendo tido «lucros fabulosos» de 602 milhões em 2017.

No pré-aviso de greve, entre os objectivos, além de «parar a ofensiva da administração contra a contratação colectiva», os trabalhadores reivindicam melhorias salariais e a defesa dos «regimes de reformas, de saúde e outros benefícios sociais, que são fruto de «muitos anos de trabalho e de riqueza produzida». É contestada também a eliminação dos direitos específicos dos trabalhadores de turnos e a crescente desregulação e aumento dos horários.

Em comunicado, os trabalhadores da Petrogal exigem ainda que o Ministério do Trabalho assuma as suas funções de defesa da contratação colectiva e honre os compromissos «assumidos perante a comissão sindical negociadora, retomando a mediação e as negociações tripartidas».

Anteriomente, a comissão tinha apontado para a cumplicidade do ministro para com a administração, não tendo contribuido para resolver o conflito. Em vez disso, «publicou ilegitimamente a caducidade do acordo autónomo da Petrogal», fragilizando os trabalhadores e os seus direitos, além de «ter assinado despachos anti-greve», sobre os quais o Supremo Tribunal viria a dar razão aos trabalhadores.

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