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Eurest: mais de 90% dos trabalhadores das cantinas escolares são precários

A Eurest, que gere as refeições escolares de mais de 100 mil estudantes portugueses, não se dignou a responder às exigências dos trabalhadores, precipitando uma greve no dia 3 de Junho, com concentração às 9h.

Concentração de protesto junto à Câmara Municipal de Gondomar
Concentração de protesto junto à Câmara Municipal de GondomarCréditos / Sindicato de Hotelaria do Norte

O rol de denúncias sobre as condições de trabalho impostas aos funcionários das cantinas da Eurest, uma das maiores empresas do ramo em Portugal, parece não ter fim. Em comunicado enviado ao AbrilAbril, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (SHN/CGTP-IN) apontou algumas das situações que a empresa impinge aos seus trabalhadores.

Mais de 90% dos trabalhadores nas cantinas são precários, expostos diariamente a «ritmos de trabalho muito intensos», sendo que muitos destes «trabalhadores não estão classificados de acordo com as funções que exercem». Nos últimos anos, alerta o SHN, «a Eurest deixou de ter encarregados e despenseiros, mesmo em cantinas que confeccionam ou servem um número elevado de refeições, violando as normas do CCT aplicável».

«Os trabalhadores não são valorizados na sua carreira e estão estagnados nas categorias profissionais em que foram contratados, pois não existe progressão na carreira».

O objectivo da Eurest, ao recusar realizar uma reunião com o sindicato (copiando as práticas da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, AHRESP), é manter a situação tal como ela está: amealhando milhões de euros de lucros preservando, ao mesmo tempo, as situações limite de instabilidade, precariedade e pobreza que impingem aos trabalhadores.

A greve de amanhã, 3 de Junho, com concentração às 9h, em frente à Câmara Municipal do Porto, tem como objectivo reivindicar a «contratação directa de todos os trabalhadores pela Eurest, sem qualquer recurso a empresas de trabalho temporário», a entrada no quadro «de todos os trabalhadores contratados a termo» (com a excepão daqueles que estão a subsituir funcionários de baixa) e o estabelecimento de um horário mínimo semanal.

Os trabalhadores pretendem ainda um aumento salarial de 100 euros para os funcionários com a categoria de cozinheira e de 50 euros para os demais trabalhadores e, entre outras exigências, a contratação de mais funcionários e o fornecimento de calçado e fardamento adequado às funções.

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