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Ensino à distância não é solução permanente

A Fenprof recusa que o modelo de ensino à distância se torne «norma», questionando a constitucionalidade dessa opção, por considerar que «cava fossos de desigualdades».

Mário Nogueira
Mário Nogueira CréditosFernando Veludo / Agência Lusa

«Na nossa opinião até seria pôr em causa a própria Constituição da República Portuguesa, uma vez que esta, em vários dos seus artigos, quando fala da necessidade de haver uma escola pública, também diz que essa escola deve ser a promotora da igualdade de oportunidades», afirmou Mário Nogueira.

O dirigente sindical falou segunda-feira aos jornalistas, numa conferência de imprensa em que divulgou os resultados de um inquérito realizado pela estrutural sindical durante as primeiras duas semanas de Maio, a que responderam 3548 docentes

De acordo com os resultados, cerca de 93,5% dos professores concordaram que as desigualdades se agravaram durante este período, desde 16 de Março, quando as actividades lectivas presenciais foram suspensas como forma de conter a propagação da Covid-19.

Estas desigualdades, acrescenta, decorrem não só da dificuldade que alguns alunos tiveram em aceder aos meios tecnológicos para acompanhar as aulas online, mas também do facto de muitos não terem autonomia digital, dos diferentes níveis de acompanhamento por parte das famílias e da forma como as próprias escolas conduziram o trabalho à distância.

Durante a apresentação dos resultados, Mário Nogueira sublinhou ainda que 54,8% dos professores admitiram não ter conseguido chegar a todos os alunos até meados de Maio.

«No meio de tanta diversidade, uniformizar critérios de avaliação pode ser, em nome da justiça, criar situações injustas», referiu.

Considerando que o modelo de ensino à distância não pode ser uma alternativa permanente, o secretário-geral da Fenprof admitiu a possibilidade de a solução se manter, pelo menos, no início do próximo ano, mas que esta decisão deve ser discutida por toda a comunidade educativa.

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