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Cultura organiza-se e exige fim da precariedade

Milhares de trabalhadores da Cultura juntaram-se esta quinta-feira, em Lisboa, Porto e Faro, para contestar a «falta de apoios e de medidas» para o sector e a necessidade de se travar a «precariedade que dura há anos».

CréditosPaulo António

Uma manifestação unitária, com profissionais das várias áreas do sector e uma excelente mobilização, foi a forma como Rui Galveias, músico e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espectáculos, Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE/CGTP-IN), caracterizou ao AbrilAbril a manifestação nacional dos trabalhadores da Cultura que teve lugar esta quinta-feira.

Com a participação de quase 2000 pessoas em Lisboa, 800 no Porto e 100 em Faro, o dirigente afirma que o sector mostra que percebe o que quer para a Cultura e se revê nas exigências do sindicato. «Esta presença na rua veio trazer força a estas medidas e à luta do sector», referiu.

«Olha a Cultura, olha a Cultura que está na rua para lutar, porque não tem, porque lhe falta orçamento para a salvar» e «Esquecer a cultura é esquecer o País» foram alguns dos apelos feitos pelos manifestantes, em palavras de ordem e cartazes.

Exigindo «medidas de emergência», «medidas estruturais» e «medidas de apoio ao sector», vários foram as intervenções feitas por associações de profissionais para que a «Cultura não fique para trás e não morra».

Medidas «insuficientes» mas fruto da «pressão»

Ao mesmo tempo, António Costa anunciava no final da reunião do Conselho de Ministros, que os profissionais independentes do sector da Cultura vão receber, em Julho e em Setembro, um apoio social semelhante ao que é atribuído aos trabalhadores independentes, ao qual não conseguem aceder devido à intermitência da sua actividade.

Este apoio extra de 1314 euros, em três prestações, para os trabalhadores da cultura, ainda é «insuficiente», considera Rui Galveias. «Os trabalhadores [com estes valores] continuam a ter a vida hipotecada e não estão a conseguir chegar ao fim do mês. As vidas não encolhem, a realidade não encolheu, portanto continua a ser insuficiente», afirmou o dirigente.


O sindicalista mostrou-se cauteloso, afirmando não se querer precipitar, e admitindo que é preciso saber se «chega a todos».  «Temos esperança de que esta medida seja um caminho aberto, e fica provado que o caminho é aberto pela luta», referiu o dirigente, acrescentando que a pressão tem de aumentar e a discussão tem de ser tida «até ao fim».

O CENA-STE irá reunir-se, esta sexta-feira, com a ministra da Cultura, que o anunciou em directo no programa «Prós-e-Contras» da RTP, sem ter previamente contactado o sindicato. No encontro, Rui Galveias garante que se baterão por uma legislação para o sector, «que acabe com os recibos verdes e a precariedade» e garanta contratos de trabalho que «contabilizem o tempo real do trabalho e uma efectiva protecção social».

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